O fundo EWZ, que reflete o desempenho de ações de grandes empresas brasileiras, sofreu uma queda significativa de 27% em Nova York após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O impacto no mercado financeiro foi imediato, refletindo a reação dos investidores à vitória do presidente.
No pré-mercado desta segunda-feira (26), o EWZ registrava uma desvalorização de 27,35%. Por volta das 14h38 (horário de Brasília), a queda foi de 20,86%, com a cota sendo negociada a US$ 33,71, em comparação aos US$ 42,59 do fechamento da sexta-feira anterior (23).
A pressão também se estendeu ao mercado de câmbio brasileiro, com o dólar iniciando a sessão em forte alta. Por volta das 9h, a moeda americana subia 8,65%, sendo cotada a R$ 5,4248. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha abertura prevista para as 10h. O EWZ é um fundo negociado em bolsa, conhecido pela sigla ETF, que agrega ações de grandes empresas do Brasil.
Por ser negociado nos EUA, o fundo serve como um termômetro da percepção dos investidores internacionais sobre o mercado brasileiro.
Na noite do domingo (25), após a confirmação da vitória de Lula, o fundo já havia registrado uma queda de aproximadamente 19% nas transações realizadas fora do horário regular, conhecido como after hours.
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Esse desempenho é um contraste com a sexta-feira (23), quando o EWZ fechou o pregão com alta de 1,77%.
Ações brasileiras também enfrentam perdas acentuadas
O desempenho negativo não se restringiu ao EWZ. As ações de grandes empresas brasileiras, conhecidas como ADRs, também apresentaram quedas significativas no pré-mercado.
Os papéis da Petrobras enfrentaram perdas de cerca de 20%. No setor bancário, o Itaú recuou 28,5%, o Bradesco caiu 26,8% e o Nubank perdeu 24% de seu valor. As ações do Mercado Livre, que possui forte presença no Brasil, desvalorizaram em 10,3%.
O movimento negativo também se estendeu a outros mercados. Durante as negociações na Ásia, os contratos futuros do real para novembro caíram cerca de 10%, enquanto um fundo que acompanha a bolsa brasileira e é negociado em Tóquio apresentou perdas de 15%.
Diante da reação negativa do mercado, o banco americano JP Morgan revisou suas recomendações para o real e os títulos públicos brasileiros após a reeleição de Lula.
A classificação foi alterada de overweight, que sugere uma maior exposição a um investimento, para marketweight, indicando uma posição mais alinhada à média do mercado.
Em um relatório, o analista Vinicius Moreira e sua equipe destacaram que os resultados das eleições devem levar a uma revisão acentuada dos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira, uma vez que muitos investidores estavam apostando na vitória de Flávio Bolsonaro.
Segundo o JP Morgan, três fatores devem ser monitorados pelo mercado nos próximos dias:
O banco também prevê que as empresas mais dependentes da economia brasileira, como as dos setores de consumo e serviços, serão mais impactadas pelas quedas na bolsa. Por outro lado, companhias exportadoras podem ter um desempenho relativamente melhor, já que a valorização do dólar aumenta, em reais, as receitas provenientes de vendas ao exterior.
Motivos da reação negativa do mercado
Nas semanas anteriores, muitos investidores apostavam em uma vitória de Flávio Bolsonaro, motivados pela expectativa de mudanças na política econômica e medidas mais rigorosas para o controle das contas públicas.
Esse otimismo havia impulsionado os ativos brasileiros, com a bolsa acumulando uma valorização de quase 7% desde o período anterior ao primeiro turno das eleições. Durante o mesmo período, o real valorizou-se quase 5% em relação ao dólar.
Com a reeleição de Lula, os investidores começaram a rever suas apostas, resultando em uma onda de vendas de ativos brasileiros.
Uma das principais preocupações diz respeito à situação das contas públicas. O governo enfrentará o desafio de controlar o crescimento da dívida enquanto mantém os gastos com programas sociais e investimentos.
Para o mercado financeiro, a incerteza gira em torno da capacidade do presidente em equilibrar essas prioridades sem comprometer a trajetória da dívida pública.
Se os investidores perceberem um risco maior de descontrole fiscal, poderão exigir juros mais altos para emprestar ao governo, o que também pode encarecer o crédito para empresas e consumidores.
A percepção de maior risco fiscal e a possibilidade de desvalorização do real podem dificultar novos cortes na taxa básica de juros.
Esse movimento ocorre após um período de valorização significativa da bolsa brasileira. Em 5 de outubro, o Ibovespa havia registrado sua maior alta diária desde março de 2020, acumulando ganhos superiores a 27% em 2026 até a sexta-feira.
Da Redação com informações do G1

