Com a presença de autoridades e líderes empresariais dos dois países, o Fórum Empresarial Coreia–Brasil, realizado na segunda-feira (23), no Lotte Hotel Seoul, marcou um movimento estratégico para elevar o patamar da parceria econômica entre as duas nações. O encontro integrou a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático e consolidou uma agenda voltada à inovação, reindustrialização, sustentabilidade e ampliação do comércio e dos investimentos recíprocos.
Promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Federation of Korean Industries (FKI), o fórum contou com a presença de representantes do setor público e privado. O objetivo foi aprofundar o diálogo em áreas consideradas estratégicas para as duas economias.
“É um sucesso, porque o sucesso se mede pelos negócios que Coreia e Brasil farão daqui para frente. Essa é a missão da ApexBrasil, é atrair investimentos e ajudar a promover o Brasil no mundo inteiro. Os números também vão mudar muito. Se Deus quiser, vamos ter muitos investimentos no Brasil, com geração de emprego e muitas vendas do Brasil aqui nesse país importantíssimo da Ásia”, defendeu o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.
Parceria com potencial de expansão
Com 51,7 milhões de habitantes e PIB estimado em US$ 1,9 trilhão em 2025, a Coreia do Sul ocupa a 13ª posição entre as maiores economias do mundo, sendo a quarta maior da Ásia. O país figura como a nona maior importadora global, com um total de US$ 631,7 bilhões em compras externas registradas em 2024.
O comércio bilateral com o Brasil somou US$ 10,8 bilhões em 2025. Com o volume alcançado, a Coreia se posicionou como o 13º principal parceiro comercial brasileiro. Apesar do patamar atingido, o volume ainda é considerado abaixo do potencial, sobretudo diante do dinamismo tecnológico coreano e da capacidade produtiva do Brasil em setores estratégicos.
A sessão de abertura contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como keynote speaker, além do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; do vice-presidente e CEO da FKI, Chang-beom Kim; e do secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira Lima.
Coreia: estratégia de marca-país e influência global
Atualmente, a Coreia do Sul é apontada como referência internacional em posicionamento de marca-país. O modelo de crescimento do país asiático é voltado à exportação de bens de alto valor agregado — como semicondutores, automóveis, eletrônicos e equipamentos industriais.
O fenômeno da “Hallyu” ampliou a presença de produtos culturais coreanos no Brasil, do K-pop às produções audiovisuais, além da indústria de cosméticos e skincare, que vem conquistando espaço crescente no mercado nacional.
No Brasil, marcas coreanas se fazem presentes no cotidiano das pessoas por meio de eletrônicos, veículos, autopeças e medicamentos, por exemplo. No ano passado, as importações brasileiras provenientes do país asiático chegaram a aproximadamente US$ 5,3 bilhões.
Entre 2021 e 2025, as compras de laminados planos de ferro ou aço registraram crescimento médio anual de 99,4%, evidenciando a integração da indústria coreana às cadeias produtivas nacionais.
Oportunidades de negócios
Informações disponibilizadas no Mapa de Oportunidades da ApexBrasil apontam que há 280 possibilidades para produtos brasileiros no mercado sul-coreano. Os segmentos com maior destaque são os de alimentos e bebidas, produtos químicos, perfumaria, medicamentos e economia criativa.
Estimada em US$ 35,9 mil, a renda per capita coreana deve aumentar 8% em termos reais até 2029, expandindo a demanda por bens diferenciados e de maior valor agregado — segmento estratégico para a diversificação das exportações brasileiras.
Três eixos estratégicos: saúde, indústria avançada e agronegócio
A programação do fórum foi estruturada em três painéis principais.
O primeiro foi dedicado à Saúde, Estilo de Vida e Indústrias Criativas. A atividade contou com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de representantes da Eurofarma, da ABIHPEC, da Dongguk University Hallyu Academy e da OPTOLANE Technology. O debate abordou oportunidades de cooperação em biotecnologia, fármacos, cosméticos e economia criativa.
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No segundo painel, voltado à Manufatura Avançada, Minerais Estratégicos e Inteligência Artificial, participaram o vice-ministro Marcio Elias Rosa e a presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, como keynote speakers. Executivos da Korea Aerospace Industries, da Hyundai Motor Brasil, da Embraer, da Vale S.A. e da Wonder DataLabs discutiram a convergência entre a demanda coreana por minerais críticos — como lítio, níquel e terras raras — e a estratégia brasileira de agregar valor à cadeia mineral.
Já o terceiro painel tratou de Agronegócio e Segurança Alimentar, com keynote do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Representantes da Embrapa, da Nongshim, da ABIEC e da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) destacaram o potencial de ampliação das exportações brasileiras com maior valor agregado. Atualmente, o Brasil responde por 21,1% das importações coreanas de produtos alimentícios e animais vivos.
Reunião com empresários coreanos
Paralelamente ao fórum, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, organizou um encontro restrito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes de grandes conglomerados sul-coreanos, com foco em novos investimentos no Brasil.
Participaram da reunião lideranças do Samsung Group, do LG Group, da Hyundai Motor Company e da Korea Aerospace Industries (KAI), além de representantes da Federation of Korean Industries (FKI) e da Korea Importers Association (KOIMA).
Na ocasião, foram debatidas oportunidades em indústria avançada, mobilidade sustentável, defesa, tecnologia, inovação e transição energética. Executivos destacaram confiança no ambiente de negócios brasileiro e sinalizaram interesse em ampliar operações no país, reforçando o papel do Brasil como destino estratégico para empresas coreanas na América Latina.
Novo ciclo de cooperação econômica
Ao longo das últimas décadas, a Coreia do Sul estruturou uma trajetória baseada em inovação, inserção internacional e fortalecimento de sua marca-país. Já o Brasil reúne escala produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade científica e uma base industrial diversificada. Diante disso, o desafio é transformar um comércio bilateral de US$ 10,8 bilhões em uma relação mais reforçada, e orientada a investimentos cruzados.
Na avaliação do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, um avanço nessa relação será positivo para os dois países. Nesse sentido, ele também reforçou que a ampliação do comércio e da cooperação estratégica deve orientar o novo ciclo da parceria bilateral.
“Esta visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva marca o início de uma nova fase na relação entre Brasil e Coreia do Sul, uma fase de mais investimentos, mais inovação e projetos estratégicos conjuntos para os próximos anos”, disse.
No encerramento do fórum, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a necessidade de elevar o nível da relação econômica entre os países:
“A corrente de comércio entre Brasil e Coreia ainda é pequena diante do tamanho das nossas economias. Precisamos avançar na integração produtiva, cooperação industrial e acordos que fortaleçam nossas cadeias de suprimentos”, destacou.
“A melhor resposta ao protecionismo é mais diálogo, mais negociação e mais comércio justo. Estou certo de que este fórum marca um novo momento na relação entre nossos países e abrirá oportunidades concretas para empresas e trabalhador”, complementou o presidente.
De acordo com a ApexBrasil, ao reunir governo e setor privado em torno de uma agenda estruturada e orientada a resultados, o encontro estabelece as bases para um novo ciclo de cooperação, no qual comércio, investimentos, inovação e cultura se fortalecem mutuamente.

