Rodovias que cortam o país foram bloqueadas pelos motoristas, incluindo trecho da BR-381, em Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais
O Ministério da Infraestrutura informa a ocorrência de manifestações de caminhoneiros em que 15 estados na manhã de hoje (9). Diante da situação, circulou, entre os caminhoneiros, um áudio com uma mensagem do presidente Jair Bolsonaro pedindo a desmobilização, de forma a evitar desabastecimento e mais inflação.
No último boletim divulgado pelo ministério, com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), “às 8h do dia 9 de setembro de 2021, são registrados pontos de concentração em rodovias federais de 15 estados, com 10% de redução de ocorrência desde o último boletim da madrugada”.
Confira abaixo todos os Estados que têm protesto:
Bahia – cinco pontos de protestos
Espírito Santo – 15 pontos de protestos
Paraná – oito pontos de protestos até a noite de quarta
Maranhão – dois pontos de protestos em São Luís
Rio Grande do Sul – sete pontos de protestos até a noite de quarta
Mato Grosso- – 28 bloqueios até a noite de quarta
Mato Grosso do Sul
Santa Catarina – 12 pontos de protestos
Rio de Janeiro – quatro pontos de protestos até a noite de quarta
Roraima – pontos de protestos até a noite de ontem
São Paulo – pelo menos três pontos de bloqueio
Minas Gerais – pelo menos um ponto de bloqueio
Segundo a nota, os estados onde ainda há manifestações em rodovias são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia. Maranhão, Roraima, Pernambuco e Pará.
Ainda segundo a pasta, a PRF conseguiu liberar a passagem em alguns “corredores logísticos essenciais” nesta manhã: BR-040/Minas Gerais; BR-116/Rio de Janeiro (Dutra/Barra Mansa); BR-040/Rio de Janeiro (Reduc); BR-101/Espírito Santo; BR-376/Paraná; e BR-153/Goiás (Anápolis).
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Em Brasília, a Esplanada dos Ministérios está interditada por caminhoneiros, que permanecem sentados na pista, de forma a não possibilitar a passagem de veículos. A liberação da via ainda está sendo negociada com as autoridades. Vários caminhões encontram-se estacionados na lateral e no gramado localizado próximo ao Congresso Nacional.
Bolsonaro pediu para categoria não fechar trânsito
Em um áudio direcionado aos caminhoneiros, ainda não publicado de forma oficial, o presidente Bolsonaro pediu às lideranças do movimento que desbloqueiem as vias para evitar desabastecimento e aumento da inflação.
“Fala para os caminhoneiros que são nossos aliados que esses bloqueios atrapalham, nossa economia. Isso provoca desabastecimento e inflação. Prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Dá um toque para os caras, para liberar, para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília, aqui, agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com outras autoridades, mas a gente vai fazer nossa parte e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? Aproveita e em, meu nome dá um abraço em todos os caminhoneiros”, disse o presidente.
“Não há muito o que comemorar.”
Na véspera dos atos bolsonaristas, o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, que está foragido, publicou um vídeo nas redes sociais convocando manifestantes ao protesto em Brasília. Segundo motoristas ouvidos pela reportagem, ele tem alto poder de mobilização na categoria.
Trovão defendeu o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e desafiou o ministro Alexandre de Moraes a prendê-lo.
Moraes decretou a prisão do caminhoneiro na sexta-feira (3). Ele é acusado de promover a incitação de atos violentos contra o Congresso Nacional e o STF.
Além do apoio ao governo, ruralistas tem três ações diretas de inconstitucionalidade no STF que ainda não foram julgadas pela corte. Elas questionam a política nacional de piso mínimo, implementada por meio de lei durante o governo Michel Temer (MDB), após a greve de 2018.
Desde antes de 7 de Setembro, a categoria já demonstrava divisão nos grupos de WhatsApp. As lideranças de movimentos organizados afirmaram que não iriam convocar caminhoneiros, como a Abrava e o CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas).
Mesmo assim, muitos motoristas ligados a transportadoras ou apenas apoiadores de Bolsonaro decidiram aderir. Caminhoneiros ligados ao agronegócio permaneciam em Brasília até a noite desta quarta.
No dia 3 de setembro, o CNTRC enviou ofício ao STF declarando “repúdio aos atos antidemocráticos, sobre as manifestações de ódio oriundas das publicações nas plataformas digitais que se agravaram com a organização para o dia 7”.
Em nota, a PRF afirmou que a tendência de fim da mobilização é à 0h de quinta (9).
84 NOTÍCIAS com informações da Agencia Brasil e O Tempo

