Por trás de cada mãe, há uma história de amor construída em gestos silenciosos, renúncias e presença constante, especialmente nos momentos mais difíceis.Todos os dias, Valquíria Ávila dos Santos saía do Recanto das Emas em direção ao Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) para visitar a filha internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Sem familiaridade com aplicativos de transporte, muitas vezes precisou pedir ajuda a desconhecidos para conseguir voltar para casa após as visitas. Ainda assim, não faltou um dia sequer. No Dia das Mães, o HRSM, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), relembra a trajetória de uma mulher que transformou a rotina de corredores, espera e incertezas em uma demonstração diária de amor e entrega.
Camila Rodrigues foi internada no hospital no dia 4 de fevereiro deste ano para realizar uma cirurgia de redução de mama. O que deveria ser um procedimento programado acabou se tornando um período delicado. Após intercorrências, ela precisou permanecer por vários dias na UTI.
Durante toda a internação, Valquíria esteve presente. Há 28 anos, ela adotou Camila ainda criança, aos 6 anos de idade, e desde então construiu uma relação marcada por afeto, acolhimento e parceria.
“Eu abracei esta missão e pensei: Deus está colocando a Camila no meu caminho, ou me colocando no caminho dela, porque Ele sabe o bem que posso fazer e como posso prepará-la para o mundo”, relembra.
Para Valquíria, a maternidade sempre foi vivida como entrega e gratidão. “Ela é meus olhos de jabuticaba, minha cor de jambo, a alegria da minha casa”, declara. Hoje, aos 34 anos, Camila diz que a experiência tornou ainda mais forte o reconhecimento pela mãe. Após receber alta hospitalar no dia 28 de março, ela conta que voltou para casa carregando também um novo olhar sobre a força materna. “Ela representa tudo de bom na minha vida. Quando voltei do coma, soube de todo o esforço dela para estar ao meu lado em todos aqueles dias e fiquei muito feliz. Tenho uma mãe incrível, corajosa, que está sempre comigo”, afirma.
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Mesmo diante da longa internação, Valquíria conta que nunca perdeu a fé.
“Olhei para o céu e disse: Senhor, eu não te escuto, mas sei que o Senhor me escuta. Faça o melhor por Camila.’ Eu confiei e vi que não era a hora da minha menina”, diz.
Grata pela recuperação da filha, ela também faz questão de destacar o acolhimento recebido durante o período em que acompanhou a rotina hospitalar da paciente. “Hoje a Camila está em casa e foi muito bem cuidada. Esse carinho não foi só com ela, mas com todos os pacientes que vi. O HRSM representa muita coisa na minha vida, e eu só tenho a agradecer”, relata.
A analista administrativa Ieda Soares, do Núcleo de Regulação Cirúrgica (NURCH), acompanhou de perto a rotina das duas durante a internação e afirma que a presença constante da mãe chamou a atenção de toda a equipe.
“Ela é um ser de luz, serena e com um amor incondicional pela filha. Sempre acreditou que tudo daria certo e, muitas vezes, era ela quem nos transmitia força e esperança”, conta.
Depois de semanas entre visitas, orações e espera, Valquíria voltou para casa com a filha recuperada. Neste Dia das Mães, a história das duas reforça que, muitas vezes, o gesto mais poderoso dentro de um hospital continua vindo de quem nunca solta a mão.

