A Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, reconheceu a existência de falhas técnicas relacionadas a anúncios e publicações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas negou que seus algoritmos tenham viés ideológico ou que sejam usados para favorecer candidaturas.
A manifestação da empresa consta de documento apresentado nesta segunda-feira (12), em resposta a acusações feitas pela campanha petista. No texto, a Meta afirma que as alegações de interferência eleitoral não têm fundamento.
“O Facebook Brasil repudia categoricamente tal premissa. A afirmação é falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos e com os dados objetivos adiante apresentados”, diz o documento.
A resposta ocorre após a campanha de Lula acusar a empresa de interferir na disputa presidencial em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL).
No sábado (10), a equipe de Lula informou ter acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentado denúncia contra a Meta na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
- Datafolha: 46% não votam em Lula de jeito nenhum e 44% rejeitam Flávio Bolsonaro no 2º turno
- PL articula apoio a Eduardo Pedrosa para presidência da CLDF em 2027
- Imprensa internacional destaca aprovação do fim da 6×1 como vitória de Lula
- CUT elogia o fim da “massacrante” jornada 6×1; CNI solicita revisão da PEC aprovada
- IGAPE: Celina dispara com 61% e abre 22 pontos sobre Grass no DF
Segundo a campanha, problemas na conta de anúncios, interrupções na contagem de visualizações e restrições ao impulsionamento teriam reduzido o alcance digital do presidente. A equipe citou diferenças de engajamento entre os perfis e afirmou que as dificuldades se repetem desde dezembro de 2025.
No documento, a Meta afirma que os problemas técnicos citados não afetaram apenas o Brasil ou contas específicas.
“Os sistemas de distribuição de conteúdo da Meta não operam segundo critérios ideológicos” e “a Meta não opera seus sistemas para prejudicar ou favorecer candidaturas”, argumenta.
A empresa acrescenta que seus padrões se aplicam igualmente a todos os usuários.
“Os padrões da comunidade da Meta se aplicam igualmente a todos, em todos os lugares e a todos os tipos de conteúdo. A neutralidade, portanto, é atributo de desenho dos próprios sistemas, cujos critérios são objetivos, públicos e auditáveis pela Justiça Eleitoral”, afirma.
AGORA: Meta admite que contas de Lula e aliados foram prejudicadas por restrições. Funcionários admitiram que a conta do presidente estaria “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro, revelou a Folha. https://t.co/fY7m6vOYx8
— PT Brasil (@ptbrasil) October 16, 2026
A companhia sustenta ainda que seu histórico em processos eleitorais não é compatível com a acusação.
“A conduta institucional do Facebook Brasil e da Meta ao longo de mais de 200 eleições desde 2016, e no Brasil desde 2018, não se compatibiliza, nem logicamente nem historicamente, com a tese de manipulação deliberada em favor de um candidato”, diz.
Como parte da defesa, a Meta cita investimentos de mais de US$ 30 bilhões (R$ 149 bilhões) em equipes e tecnologia de segurança na última década, com sistemas de inteligência artificial e moderação humana em mais de 70 idiomas.
Entre as medidas citadas para as eleições brasileiras estão memorando de entendimento com o TSE no Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, oficinas sobre comunicação eleitoral, verificação de fatos, identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, centro de operações em tempo real e exibição de informações oficiais sobre título, regularização e votação.
A empresa menciona ainda canais para denúncias de conteúdos ilegais e ações para reduzir circulação de informações falsas.
“Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, finaliza.
Com informações da Folha e CNN

