Distrito FederalSesc Cultural inicia curso sobre Modernismo na Arte Brasileira

Sesc Cultural inicia curso sobre Modernismo na Arte Brasileira

Lilia Schwarcz lidera a aula inaugural, que examina a construção da memória da Semana de Arte Moderna e suas exclusões históricas.

Com o objetivo de refletir e aprofundar o entendimento sobre a Semana de Arte de 1922, o Sesc Cultural promove o curso intitulado Modernismo na História da Arte Brasileira. A programação contará com quatro encontros presenciais no Teatro Silvio Barbato, a ocorrer entre 17 de outubro e 28 de novembro. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis para retirada no foyer do teatro, uma meia hora antes de cada evento. A aula inaugural será ministrada por Lilia Schwarcz, das 13h30 às 16h30.

A Semana de Arte de 1922 é amplamente reconhecida como um divisor de águas do modernismo no Brasil. Organizado por artistas e intelectuais em São Paulo, o evento desafiou as normas do classicismo, refletindo mudanças culturais, sociais e históricas significativas e dando início a um movimento que transformou a cultura brasileira nas primeiras décadas do século XX.

Esse marco histórico foi parte de uma busca por uma identidade nacional, envolvendo tensões e diálogos sobre as heranças culturais europeias, africanas e indígenas que compõem a diversidade do Brasil. “A Semana de 22 produziu uma espécie de catequese a partir da projeção de seus outros. Mulheres, negras, indígenas estavam na representação dos modernistas, mas não estavam presentes”, afirma Lilia Schwarcz, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Este curso representa a primeira ação do Programa Educativo do Sesc Cultural, uma unidade do Sesc voltada para a cultura no Distrito Federal. Com inauguração prevista para o final de 2028, o espaço situado na 511 Norte já conta com uma programação artística e cultural ativa. Durante os quatro módulos, os participantes explorarão o contexto da Semana de 1922, a influência das vanguardas europeias (como expressionismo, cubismo, futurismo e surrealismo), o panorama estético da arte no Brasil além do eixo Rio-São Paulo, e as repercussões do Modernismo em Brasília, incluindo sua influência na produção artística, arquitetônica e cultural da capital. O curso também abordará, sob uma perspectiva contemporânea, as vozes ausentes de artistas negros e indígenas nos debates artísticos da época, além de discutir a ampliação dessas narrativas na história da arte brasileira.

Lilia Schwarcz. Foto Divulgação

Além de Lilia Schwarcz (Semana de 22: ecos, mitos e ausências), mais quatro pesquisadoras contribuirão para as discussões. Elas são: Vera Pugliese, professora da Universidade de Brasília (UnB) (As vanguardas e o modernismo brasileiro); Graça Ramos, jornalista e curadora (O modernismo em Brasília); e as artistas e pesquisadoras Renata Felinto e Naine Terena (Outros Modernismos).

Projeto Educativo

O curso do Sesc Cultural contará com a colaboração de 15 professores da rede Sesc de ensino (EduSesc), que formarão um grupo de trabalho para implementar os conceitos discutidos no curso de Modernismo em novas propostas metodológicas nas salas de aula. Este tema é parte do currículo das escolas do Distrito Federal, visto que o projeto modernista de Brasília é tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade. O Programa Educativo é um dos pilares do Sesc Cultural, cuja sede, na 511 Norte, passará por reformas em 2027.

“O curso Modernismo na História da Arte Brasileira inaugura uma frente muito importante do Sesc Cultural: a de promover conhecimento, reflexão e formação a partir da cultura. Ao reunir pesquisadoras de diferentes áreas e perspectivas, estamos propondo um olhar mais amplo sobre o Modernismo, reconhecendo sua importância histórica, mas também discutindo as vozes e narrativas que ficaram à margem dessa história. E fazer isso a partir de Brasília é ainda mais significativo, porque a cidade é um dos grandes legados do projeto modernista brasileiro. Queremos que esse conhecimento ultrapasse os encontros e contribua também para novas práticas educativas, especialmente nas escolas do Sesc-DF,” declara Valcides de Araújo, diretor regional do Sesc-DF.

ENCONTROS

17/10 – Semana de 22: ecos, mitos e ausências (Lilia Schwarcz)
Explora a Semana de Arte Moderna como o marco inicial da narrativa artística no Brasil, investigando a construção da memória do evento ao longo do século XX e confrontando mitos e fatos históricos, além de discutir as disputas de identidade nacional e as exclusões de artistas, regiões e expressões culturais fora do cânone.

31/10 – As vanguardas e o Modernismo Brasileiro (Vera Pugliese)
Analisa as conexões e a ressignificação de movimentos europeus, como Expressionismo, Cubismo, Futurismo e Surrealismo, no contexto brasileiro. O encontro discute as propostas de renovação de intelectuais e artistas locais em meio aos conflitos entre tradição e modernidade, além de refletir sobre as regras historiográficas que definiram o que se tornou arte oficial e o que foi relegado à periferia.

14/11 – Modernismos em Brasília (Graça Ramos)
Aborda a consolidação prática dos conceitos modernos em Brasília, no âmbito urbano, artístico e cultural. Investiga as relações entre arquitetura, literatura e artes visuais na formação da capital federal como um ícone de um projeto político e nacional, buscando entender a cidade como um espaço de reinvenção das metas modernistas.

28/11 – Outros Modernismos (Renata Felinto e Naine Terena)
Propõe uma análise crítica sobre como a população negra e os povos indígenas foram representados no imaginário modernista nacional, debatendo questões de visibilidade, apropriação cultural e exclusão histórica. O encerramento utiliza a arte contemporânea para expandir o cânone oficial e destacar vozes, experiências e produções que foram marginalizadas no passado.

Participação de Lilia Schwarcz e pesquisadores

LILIA SCHWARCZ – Historiadora e antropóloga, professora sênior da Universidade de São Paulo (USP) e Global Scholar da Universidade de Princeton. É membro da Academia Brasileira de Letras e possui diversas publicações focadas na formação social e cultural do Brasil.

VERA PUGLIESE – Professora associada do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora do CNPq e coordenadora do Laboratório de Teoria e História da Arte. Tem doutorado e mestrado pela UnB, além de pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS).

GRAÇA RAMOS – Jornalista, doutora em História da Arte pela Universidade de Barcelona e mestre em Literatura pela UnB. Atua como pesquisadora, curadora e escritora, com ênfase na produção artística e arquitetônica de Brasília e no patrimônio cultural.

RENATA FELINTO – Artista visual, pesquisadora, curadora e professora. Doutora em Artes Visuais pela Unesp e com pós-doutorado na University of Pennsylvania, desenvolve trabalhos sobre arte, identidade, memória e diáspora africana.

NAINE TERENA – Pesquisadora, curadora, educadora e ativista do povo Terena. Foca na promoção da arte indígena contemporânea, articulando projetos sobre memória, território, direitos indígenas e perspectivas decoloniais.

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