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Vera Pugliese discute brasilidade na arte no Sesc Cultural

Pugliese destaca a diversidade na arte brasileira e critica a visão eurocêntrica.

Vera Pugliese, renomada pesquisadora da história da arte brasileira, atraiu a atenção de alunos, ex-alunos, professores e entusiastas da cultura ao abrir o segundo encontro do curso “Modernismo na História da Arte Brasileira”, promovido pelo Sesc Cultural. A professora da Universidade de Brasília (UnB) conduziu uma discussão sobre a busca por uma identidade artística brasileira em meio ao surgimento das vanguardas europeias, como Impressionismo, Cubismo, Futurismo e Surrealismo, nas primeiras décadas do século XX.

No Teatro Sesc Silvio Barbato, na manhã do último sábado (31.10), estavam presentes a servidora pública Mariana Souza e a professora Margarete Oliveira, que tiveram a oportunidade de conhecer Pugliese em 2003, quando ela ofereceu aulas particulares de história da arte em sua quitinete, utilizando um pequeno aparelho de TV para mostrar imagens das obras. “Fizemos um curso completo, do Renascimento à arte contemporânea. Depois, viajamos juntas para Minas Gerais, com Vera como nossa guia”, relembra Mariana. “Éramos um grupo de pessoas apaixonadas por cultura cercadas de livros. Foi uma verdadeira faculdade aberta”, complementa Margarete.

As ex-alunas elogiaram a iniciativa do Sesc Cultural ao oferecer o curso sobre Modernismo, destacando que a ação foi realizada antes do início das obras na 511 Norte, onde será construído um dos principais centros de arte de Brasília e do Brasil. “É uma oportunidade única que o Sesc Cultural proporciona à comunidade interessada em arte”, afirma Margarete. “Espero que essa iniciativa se amplie, especialmente para aqueles que amam as artes e buscam aprendizado contínuo”, acrescenta Mariana.

Durante a sua apresentação, Pugliese explorou os diversos movimentos de vanguarda e destacou artistas brasileiros que se destacaram nesse contexto, como Lasar Segall, Anita Malfatti e Victor Brecheret. Ela também enfatizou a ausência de influências negras, africanas e indígenas na formação da brasilidade na arte. A pesquisadora refutou a ideia de uma “influência” europeia sobre o Brasil, argumentando que o termo “influir” sugere uma apropriação passiva da criação.

“Não podemos pensar em uma equação onde de um lado estão as vanguardas europeias e do outro a tradição brasileira, como se fossem relações diretas na busca pela brasilidade. Não é suficiente pintar uma banana em uma tela ou evitar branquear os traços das figuras humanas para afirmar que aquela obra é brasileira. Dentro dessa noção de identidade nacional, existe uma diversidade imensa”, provocou Vera Pugliese, diante de uma plateia de cerca de 70 pessoas.

Professores qualificados

Entre os participantes estava a professora de educação física, Julia Feitosa Rodrigues, integrante de um grupo de 15 educadores da rede EduSesc selecionados pelo projeto Arte na Educação, parte do Programa Educativo do Sesc Cultural. “Estou aprendendo muito. Não sou da área de história da arte, mas tudo aqui é muito instigante. Já começo a pensar em como aplicar esses conhecimentos nas minhas aulas em Ceilândia”, planeja Júlia, que aguarda com expectativa a viagem ao Instituto Inhotim (MG), onde, junto ao grupo de professores e sob a orientação do coordenador pedagógico do Sesc Cultural, Auber Bettinelli, participará de uma imersão prática em um dos principais centros culturais do país.

O curso “Modernismo na História da Arte” continuará com mais dois encontros, sempre das 10h às 13h, com ingressos sendo distribuídos meia hora antes no foyer do Teatro Silvio Barbato.

PRÓXIMOS ENCONTROS

14/11 – Modernismos em Brasília (Graça Ramos)
Este encontro discutirá Brasília como a concretização dos conceitos modernos em um contexto urbano, artístico e cultural, explorando as conexões entre arquitetura, literatura e artes visuais na formação da capital federal como um símbolo de um projeto político e nacional. A análise interdisciplinar buscará compreender a cidade como um espaço de reinvenção das metas modernistas.

28/11 – Outros Modernismos (Renata Felinto e Naine Terena)
Este encontro propõe uma revisão crítica sobre a representação da população negra e dos povos indígenas no imaginário modernista nacional, debatendo as tensões entre visibilidade, apropriação cultural e exclusão histórica. O encerramento utilizará a arte contemporânea para expandir o cânone oficial e dar destaque às vozes, experiências e produções que foram marginalizadas no passado.

“Não basta pintar uma banana num quadro nem deixar de branquear os traços das figuras humanas para dizer que aquela obra é brasileira.”

 

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