A proposta de reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte de salários promete acirrar o debate econômico no país. Um estudo setorial estima que a medida provocaria um aumento direto de 10% no valor pago por hora trabalhada, com impacto de até R$ 158 bilhões por ano na folha de pagamento das empresas brasileiras.
Caso a carga semanal avance para o modelo de 36 horas, o custo adicional total dispararia para R$ 610 bilhões, representando um encarecimento de 22,2% na hora trabalhada.
A conta é direta: como a remuneração mensal permanece a mesma, cada hora de serviço fica mais cara para o empregador. O efeito é imediato em setores onde o atendimento contínuo e a presença física são vitais, como comércio, gastronomia, logística e construção civil. Nessas atividades, a jornada de 44 horas é a regra em cerca de 90% dos contratos formais, o que impede a simples redução do expediente sem a contratação de novos funcionários ou o pagamento de horas extras.
O segmento de serviços lidera as projeções de alta de custos e deve absorver quase R$ 77 bilhões adicionais na folha caso o teto semanal caia para 40 horas. Na sequência, a indústria arcaria com cerca de R$ 35,9 bilhões, enquanto o varejo responderia por R$ 30,4 bilhões. Construção civil e agronegócio somariam juntos cerca de R$ 14,8 bilhões em despesas extras.
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No cenário nacional, mais de 35,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a 62% da base celetista do país, cumprem atualmente entre 40 e 44 horas semanais.
Além do peso financeiro, entidades do comércio alertam para o desafio operacional de manter lojas, supermercados, hospitais e redes de transporte funcionando em escalas contínuas. A avaliação do setor produtivo é que, sem um aumento real na produtividade, o encarecimento da mão de obra pode ser repassado para a inflação de serviços ou reduzir o ritmo de criação de vagas formais.
Para o setor empresarial, a alternativa à redução uniforme por via constitucional seria priorizar acordos e convenções coletivas por categoria, respeitando a realidade de cada atividade econômica.

