Na teoria das cores, vermelho com amarelo dá laranja. Na prática política do Distrito Federal, Leandro Grass tentou fazer essa conta para se salvar no 2º turno.
Nos últimos dias, a estratégia do candidato do PT ficou escancarada: se distanciar do próprio PT. A ordem foi trocar a paleta vermelha da estrela pela paleta laranja, amarela e branca. Sumir com o PT do material, esconder Lula e ensaiar um discurso com cara de PSB. Na tentativa de tirar o vermelho, apostou na mistura de paletas.
Não adiantou.
O eleitor do DF não é daltônico. Sabe que por baixo da paleta laranja, o vermelho continua lá.
A primeira pesquisa Datafolha do 2º turno para o governo do Distrito Federal mostra o tamanho do fracasso. Celina Leão (PP) lidera com folga, com 55% das intenções de voto, contra 37% de Leandro Grass. Brancos e nulos são 5% e indecisos, 3%. O levantamento confirma a vantagem construída no 1º turno, quando Celina foi a mais votada com 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% de Grass, segundo dados do TSE.
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O problema de Grass nunca foi só a paleta. Foi a base.
Dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, a aceitação de Leandro Grass foi mista e cercada por disputas internas no início. Houve resistência, rachas e brigas de caciques locais. O nome se consolidou para a campanha eleitoral na marra, mas sem nunca ter pacificado o partido. Começou devendo dentro de casa.
E quem deve dentro de casa, não convence fora.
A poucos dias das votações do 2º turno, segundo apurou o Radar DF nos bastidores, tem muita gente querendo abandonar o barco. O distanciamento que ele tenta fazer do PT, agora é o próprio grupo que tenta fazer dele. É cada um por si.
Os dados mostram por quê.
Diferente do restante do Distrito Federal, onde Celina liderou, as regiões que deram vitória a Grass foram somente quatro:
– Asa Norte – onde obteve seu melhor desempenho, com 46,62% dos votos válidos
– SIG – Setor de Indústrias Gráficas
– Asa Sul – com 42,62% dos votos válidos
– Águas Claras Norte – única região fora do Plano Piloto central onde superou a adversária, com 41,97%
É votação de bolha. Plano Piloto e só. Não entrou em Ceilândia, Samambaia, Taguatinga, Planaltina, Santa Maria. Não furou a bolha. Não conversou com quem decide a eleição no DF.
Leandro Grass tentou trocar de paleta para esconder o PT. Mas esqueceu do principal: no Distrito Federal, o eleitor vota olhando o conteúdo, não a embalagem.
E o conteúdo continua sendo PT.
Da redação com informações do Radar DF

