Senador e candidato do PL à Presidência da República disse que produção sobre Jair Bolsonaro, que custou R$ 75 milhões, foi concluída com recursos privados e lícitos. Ele comparou caso a patrocínios da emissora e citou Instituto Lula
Em entrevista à TV Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, foi questionado sobre o pedido de R$ 134 milhões feito a Daniel Vorcaro para viabilizar um filme que custou R$ 75 milhões, valor quase duas vezes menor que o solicitado.
Em resposta, o senador afirmou que se tratava de um contrato que não foi cumprido e que, com os recursos aportados por Vorcaro e por outros investidores, foi possível concluir o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, foi uma relação privada, com dinheiro totalmente lícito.
Durante a entrevista, Flávio comparou o investimento no filme a valores recebidos pela própria emissora. Ele disse que o programa apresentado por Luciano Huck teria recebido mais de R$ 100 milhões, cerca de R$ 160 milhões, para fazer propaganda do Banco Master, e questionou o que haveria de errado nisso.
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O senador também citou o desligamento de um diretor do Grupo Globo após a revelação de conversas com Daniel Vorcaro sobre eventos do Valor Econômico em Nova York. Segundo Flávio, o executivo feriu o código de ética da empresa e sofreu as consequências, mas não haveria ilegalidade no fato em si.
A apresentadora fez dois esclarecimentos em seguida. Disse que a compra de espaço comercial e de patrocínios na programação da TV Globo obedece a regras de transparência, é ditada pelo mercado e não se confunde com financiamento de filme. Afirmou ainda que os patrocínios não têm relação com a linha editorial e com a independência do jornalismo da Globo, e que o caso do diretor desligado é diferente do episódio do filme.
Flávio mencionou ainda um áudio atribuído a Vorcaro. Segundo o senador, a própria defesa confirmou que a voz era dele. No áudio, Vorcaro diria que o filme sobre Bolsonaro foi feito dentro da lei e que o filme sobre Lula, para o qual ele teria destinado R$ 30 milhões por fora ao Instituto Lula, precisaria ser investigado.
Questionado sobre por que procurou justamente Daniel Vorcaro, em um país com cerca de 1.600 instituições financeiras e quase 170 bancos, o senador disse que conversou com vários possíveis investidores e que Vorcaro aceitou investir em uma época em que, nas palavras dele, não havia nada de errado.
Em outro momento, Flávio fez acusações contra João Vaccari, apontado por ele como ligado a Lula e ao Instituto Lula. Afirmou que Vaccari teria oferecido R$ 1 bilhão de fundos de pensão da Caixa, do Banco do Brasil e da Petrobras para fundos do Banco Master, com cobrança de propina de 10 por cento. Disse ainda que Vaccari já foi preso por fraude em fundos de pensão. Para o senador, essa contrapartida seria crime e deveria ser investigada, o que seria diferente de um investimento privado em um filme privado.
A apresentadora respondeu que não se referiria a informações não confirmadas pelo jornalismo da TV Globo.

