Pesquisa da Unisinos analisa motivos para a recusa familiar e destaca a importância da comunicação sobre o tema
Menos de um terço das famílias autorizaram a doação de órgãos, após o diagnóstico de morte encefálica, de acordo com um levantamento feito por pesquisadores da Unisinos, no Rio Grande do Sul. O estudo analisou os registros de documentos de entrevistas familiares realizadas em 2022 por uma organização de procura de órgãos (OPO) do Rio Grande do Sul (RS) com o objetivo de conhecer as justificativas de familiares para a não autorização da doação de órgãos e tecidos. Entre as principais justificativas para a recusa estão o fato de a pessoa não ter se declarado doador em vida, a falta de consenso familiar sobre a doação e a decisão da família por preservar a integridade do corpo do ente. Os resultados detalhados das motivações para não doação foram publicados em um artigo nesta sexta-feira (22) no periódico científico “Brazilian Journal of Transplantation”.
- ✅ Inscreva-se no canal do Portal 84 no WhatsApp, Youtube e visite as nossas páginas no Facebook e Instagram
A equipe, que contou com pesquisadores de instituições gaúchas, analisou os registros de entrevistas com familiares de potenciais doadores feitas por uma Organização de Procura de Órgãos e Tecidos no estado do Rio Grande do Sul. Foram analisados documentos de 121 entrevistas e, os autores identificaram 33 autorizações para doação, 65 negativas e 23 casos de contraindicação médica para a doação. Entre as negativas, 39 casos foram excluídos por falta de informações sobre a justificativa para a recusa da doação. Por isso, o montante analisado foi de 26 casos.
Leia mais
- Ilhas de floresta: uma solução para recuperar a biodiversidade em áreas de monocultura
- GDF regulamenta o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (Ppcub)
- Parque das Garças ganha novo fôlego com plano de revitalização
Em metade deles, a doação de órgãos não foi efetivada porque a pessoa que morreu se manifestou contrariamente à doação em vida ou não externou a vontade de ser doador. Em quatro casos, houve falta de consenso familiar, em três houve preocupação dos familiares sobre a preservação do corpo e, em outros três, receio sobre o tempo de espera para liberação do corpo. Questões religiosas foram apontadas em apenas dois casos, entre outras justificativas.
- Universitários pretos relatam maior perda dentária e falta de acesso em serviços odontológicos
- Redução de espécies marinhas coloca em risco saúde de comunidades pesqueiras do litoral nordestino
- Cirurgia de ‘língua presa’ reduz esforço do bebê e melhora amamentação, revelam imagens
- Advogados iniciantes do DF serão capacitados para atender população de baixa renda
- Como ONGs feministas agiram contra a violência de gênero na Covid-19: um estudo detalhado
“Temos uma fila de espera gigantesca por órgãos no Brasil. Algumas doenças têm o transplante como único tratamento, mas ele só acontece se houver a doação e, para haver doação, além de generosidade, é preciso conhecimento sobre o processo e sobre o desejo das pessoas”, diz a enfermeira Patrícia Treviso, autora do artigo e orientadora do trabalho de conclusão de curso que o originou.
Para ela, é importante que aqueles que querem que gostariam de ser doadores manifestem a vontade em vida às suas famílias. “Normalmente as famílias querem honrar esse desejo do familiar que faleceu”, afirma. Vale lembrar que, ainda que haja manifestação em cartório, quem autoriza a doação sempre são os familiares. “É fundamental conversar em família e dizer se você é doador, para que a família possa respeitar a sua vontade. Vale destacar que quando não há consenso familiar, a doação não acontece”, observa a enfermeira.
Os resultados também podem contribuir para a implementação de campanhas e estratégias de comunicação sobre a doação de órgãos. “Falar sobre a morte pode ser difícil na nossa cultura, mas a doação de órgãos não é sobre a morte, e sim sobre a possibilidade de salvar outras vidas”, diz a enfermeira Maria Eduarda Pasquotto, primeira autora do artigo. As pesquisadoras destacam a importância do registro completo e detalhado da entrevista com os familiares de potenciais doadores, a fim de que novos estudos possam ser realizados.
Com informações da Agência Bori

