Cultura"Acessível para Todos": Como inclusão virou protagonista no 26º Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros

“Acessível para Todos”: Como inclusão virou protagonista no 26º Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros

Parceria entre Raposo Acessibilidade e Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge levou acolhimento, comunicação acessível e recursos sensoriais para ampliar participação em um dos maiores festivais de culturas tradicionais do país

Acessibilidade em eventos culturais vai muito além da eliminação de barreiras físicas. Garantir que diferentes públicos participem de uma programação também exige comunicação acessível, respeito às particularidades sensoriais, acolhimento e condições para que cada pessoa vivencie a cultura com autonomia e dignidade. Essa perspectiva orientou as ações desenvolvidas pela Raposo Acessibilidade durante o 26º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em outubro de 2026, em parceria com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge (CCCJ).

Com a proposta “Acessível para Todos”, a equipe articulou recursos técnicos, acessibilidade comunicacional, experiências sensoriais e estratégias de acolhimento para atender às diferentes necessidades dos participantes. As ações contemplaram pessoas com deficiência, pessoas autistas e neurodivergentes, idosos, gestantes e outros públicos que necessitavam de suporte durante o evento. O trabalho também considerou o bem-estar dos profissionais envolvidos na produção, reconhecendo que o cuidado deve alcançar tanto quem participa da programação quanto quem trabalha para realizá-la.

A parceria entre a Raposo Acessibilidade e a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, construída ao longo de dois anos, contribuiu para ampliar a discussão sobre inclusão em um encontro que reúne povos originários, comunidades tradicionais e manifestações culturais de diferentes territórios brasileiros.

Para Liane Preuss, integrante da CCCJ, a principal transformação está na maneira de compreender a acessibilidade. “Mais do que criarmos instrumentos e espaços acessíveis, nós construímos relações acessíveis e inclusivas”, afirma.

Segundo Liane, a inclusão envolve dimensões relacionais, atitudinais e comunicacionais. A intenção é que as práticas desenvolvidas durante o encontro não se limitem ao período de realização do evento, mas contribuam para fortalecer a participação social e a construção de ambientes mais acolhedores na comunidade.

A produtora-geral da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, Ana Ferrareze, também destaca a contribuição da parceria para o aprimoramento das ações de inclusão.

“A parceria com a Raposo Acessibilidade foi fundamental porque trouxe um olhar profissional, técnico, acolhedor e humano sobre a acessibilidade no nosso encontro”, avalia.

Acessibilidade exige planejamento e atuação multidisciplinar

À frente da coordenação da Raposo Acessibilidade, Wagner Nascimento explica que a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar a atuação profissional no campo da inclusão. A compreensão de que acessibilidade não se resume à interpretação em Libras levou à busca por conhecimentos e profissionais de diferentes áreas, incluindo assistência ao público, audiodescrição e estratégias de acolhimento.

“Quando a legislação mudou, entendemos que acessibilidade não é só Libras. Precisávamos de audiodescritores, assistentes, coordenação e, agora, psicólogos. Fiz cursos, pesquisei e fui entender esse universo”, relata Wagner.

A proposta “Acessível para Todos” parte do reconhecimento de que as necessidades das pessoas variam de acordo com suas características, condições de mobilidade, formas de comunicação e experiências sensoriais. Por isso, a inclusão precisa ser considerada desde o planejamento das atividades até o atendimento durante a programação.

Além das pessoas com deficiência, o trabalho considera idosos, gestantes, lactantes, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas autistas ou neurodivergentes. O objetivo é identificar barreiras e disponibilizar recursos que favoreçam a participação, sem presumir que todos os visitantes tenham as mesmas necessidades.

Para Wagner, o cuidado com os idosos também merece atenção especial. Muitas vezes, explica, medidas simples de acolhimento, orientação e convivência fazem diferença na experiência de quem participa de uma atividade cultural.

A atuação desenvolvida no encontro também envolveu a perspectiva de articulação com o poder público, escolas e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). A proposta, segundo Liane Preuss, é favorecer a continuidade das práticas de inclusão para além da programação cultural.

Essa dimensão comunitária amplia o alcance do trabalho. Ao aproximar profissionais, instituições e população, as ações de acessibilidade podem contribuir para a disseminação de conhecimentos e para a construção de ambientes mais preparados para receber diferentes públicos.

A experiência também demonstra que a acessibilidade não deve ser tratada apenas como uma exigência operacional. Ela envolve decisões sobre comunicação, organização dos espaços, atendimento, recursos sensoriais e formação das equipes.

Na avaliação da parceria, a combinação entre conhecimento técnico e atenção às relações humanas foi um dos aspectos centrais da experiência.

A atuação da Raposo Acessibilidade no 26º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros reuniu diferentes frentes de trabalho: acolhimento na Sala Zóla, recursos sensoriais para crianças, audiodescrição de obras, interpretação em Libras e assistência ao público.

Cada iniciativa respondeu a necessidades específicas, mas todas estiveram conectadas pelo propósito de ampliar as possibilidades de participação cultural.

Em um encontro que celebra a diversidade dos povos e das tradições brasileiras, a acessibilidade contribui para que essa diversidade também seja reconhecida nas condições de participação do público.

A proposta “Acessível para Todos” sintetiza esse compromisso: não basta abrir as portas de um evento; é necessário criar condições para que as pessoas consigam atravessá-las, compreender o que acontece, participar das atividades e sentir que pertencem àquele espaço.

Sobre a Raposo Acessibilidade

A Raposo Acessibilidade atua com consultoria, planejamento e execução de ações de acessibilidade em eventos e projetos culturais. Seu trabalho articula recursos de comunicação acessível, audiodescrição, interpretação em Libras, assistência ao público e estratégias de acolhimento, com a proposta “Acessível para Todos”.

Últimas