VariedadesInfluenciadora trans sofre preconceito e mostra comentários de ódio que recebe diariamente

Influenciadora trans sofre preconceito e mostra comentários de ódio que recebe diariamente

No dia 17 de maio é celebrado o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia. Para marcar a data, a influenciadora trans Suellen Carey, de 38 anos, decidiu reunir alguns dos comentários transfóbicos mais frequentes que recebe nas redes sociais. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, e vivendo atualmente em Londres, no Reino Unido, ela afirma que os ataques online se tornaram parte da própria rotina.

Entre as mensagens publicadas pela influenciadora aparecem frases como “machão”, “isso é homem”, “quem é esse macho?” e comentários ironizando sua aparência e identidade de gênero. Segundo Suellen, expor os prints foi uma forma de mostrar como a violência contra pessoas trans passou a se repetir diariamente no ambiente digital. “As pessoas acham que comentário online não machuca porque existe uma tela separando tudo. Mas quando você lê isso constantemente, entende como o ódio foi normalizado na internet”, afirma.

Suellen conta que decidiu reconstruir a vida fora do Brasil após episódios de violência e transfobia e afirma que a internet acabou se tornando uma continuação desse ambiente hostil. “Existe uma agressividade muito grande escondida em comentários que muita gente ainda tenta tratar como brincadeira. As redes sociais também viraram espaço para a transfobia digital”, relata.

Segundo a influenciadora, o desgaste emocional não acontece apenas por um comentário isolado, mas pela repetição constante dos ataques. “Tem dias que eu abro o Instagram já sabendo exatamente o tipo de comentário que vou encontrar. O problema não é só um ataque. É viver lendo isso o tempo inteiro”, diz.

No Brasil, homofobia e transfobia são enquadradas pelo STF como crimes de racismo desde 2019. Ainda assim, para Suellen Carey, a violência virtual continua sendo tratada com naturalidade por muitas pessoas. “Muita gente usa a internet para falar coisas que jamais teria coragem de repetir pessoalmente. Quando milhares de pessoas repetem o mesmo ataque todos os dias, isso deixa de ser opinião e vira violência”, conclui.

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