O encerramento dos desfiles na Marquês de Sapucaí no útimo dia 15 não marcou apenas o fim da festa, mas o início de uma nova batalha jurídica e política. A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, levou para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, transformando o Sambódromo em um palco de exaltação ao atual presidente e de ataques diretos à oposição.
O enredo da discórdia
A escola percorreu a biografia de Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância no sertão até a chegada ao Planalto. No entanto, o que chamou a atenção não foram apenas as referências aos programas sociais ou a crítica ao impeachment de Dilma Rousseff. O ponto alto da polêmica foi a representação de um boneco apelidado de “bozo”, em clara referência a Jair Bolsonaro, aparecendo atrás das grades, simulando uma prisão.
TSE acionado por propaganda antecipada
A atenção agora se volta para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já existe um processo aberto para apurar se a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada.
Integrantes da direita e juristas apontam uma suposta incoerência da Corte. Eles relembram que, em 2022, o ministro Alexandre de Moraes proibiu o então presidente Bolsonaro de utilizar imagens das celebrações oficiais do 7 de Setembro em sua campanha. O argumento agora é de “dois pesos e duas medidas”, já que um desfile financiado indiretamente pelo Estado homenageou explicitamente um candidato em ano eleitoral.
“Lula zomba do povo”: A reação de Flávio Bolsonaro
A repercussão nas redes sociais foi imediata e agressiva. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou sua conta no X (antigo Twitter) para manifestar repúdio, focando especialmente no desrespeito religioso e no uso do dinheiro do contribuinte.
“O Carnaval é cultura, é tradição e merece respeito. O que não dá para aceitar é usar dinheiro público para atacar a fé de milhões de brasileiros enquanto políticos aplaudem de camarote”, disparou o senador.
Flávio ainda destacou a força do eleitorado cristão: “Somos mais de 50 milhões de evangélicos… Merecemos respeito, não deboche financiado pelo próprio governo. Em outubro, o brasileiro vai dar a resposta nas urnas.”
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Milhões em verba pública sob investigação
Um dos pontos mais sensíveis da matéria é a origem dos recursos. A Acadêmicos de Niterói teria recebido:
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R$ 1 milhão via Embratur (verba federal);
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Aportes significativos da Prefeitura de Niterói;
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Recursos de outros entes públicos.

