BrasilBrasil aciona Lei de Reciprocidade contra tarifas comerciais dos Estados Unidos

Brasil aciona Lei de Reciprocidade contra tarifas comerciais dos Estados Unidos

Itamaraty notifica governo norte-americano e solicita consultas diplomáticas para contestar sobretaxas a produtos nacionais.

O governo federal deu início formal aos trâmites para responder à imposição unilateral de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. A ofensiva começou com o envio do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aos integrantes do Comitê-Executivo de Gestão, abrindo caminho para uma avaliação técnica detalhada sob o respaldo da Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122).

Paralelamente ao movimento técnico da Camex, o Ministério das Relações Exteriores confirmou a notificação oficial a Washington, solicitando a abertura de consultas diplomáticas diretas. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a intenção primária do país é esgotar os canais de negociação e mitigar impactos econômicos antes de qualquer aplicação prática de sanções.

O que prevê a Lei de Reciprocidade

Aprovada pelo Congresso Nacional justamente para criar instrumentos de defesa comercial diante de medidas protecionistas, a legislação confere ao Poder Executivo ferramentas proporcionais de resposta. Entre as sanções cabíveis, o Brasil pode suspender concessões tarifárias, instituir novos tributos de importação sobre bens e serviços de origem norte-americana ou rever benefícios fiscais concedidos ao país parceiro.

O Planalto faz questão de frisar que a abertura do procedimento não implica a adoção imediata de contratarifas. A etapa atual consiste em dimensionar com precisão o dano financeiro suportado pelos exportadores nacionais para calibrar contramedidas no mesmo patamar econômico, evitando distorções na cadeia de suprimentos interna.

Cenário de tensão e caminhos multilaterais

A tensão comercial escalou nas últimas semanas com sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos que, somadas, podem alcançar patamares de até 37,5% sobre determinados itens nacionais, embora setores estratégicos como carnes, café e aeronaves tenham permanecido em listas de isenção. O governo brasileiro classifica as barreiras tarifárias como unilaterais e desprovidas de respaldo nas normas multilaterais de comércio.

Além das consultas diplomáticas bilaterais e do processo interno na Camex, o Brasil mantém representações ativas na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para minimizar os prejuízos aos setores produtivos mais expostos, o Executivo reforçou a manutenção de programas de apoio ao mercado doméstico e o trabalho contínuo pela diversificação de destinos para as exportações brasileiras.

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