A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu uma sessão solene com o tema “Orgulho LGBTI+ transformando a História no Distrito Federal”. O evento reuniu lideranças políticas, ativistas e artistas para celebrar os avanços democráticos na capital e debater os desafios estruturais enfrentados pela comunidade, com a entrega de moções de louvor a personalidades de destaque na defesa de direitos.
Organizada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, deputado Fábio Felix (Psol), a solenidade ressaltou a força da representatividade nos espaços de poder. O parlamentar relembrou marcos importantes de sua atuação no DF, como a aprovação da lei que proíbe a prática de terapias de conversão — a chamada “cura gay”. “Quando ocupamos esses espaços a gente dá um recado de que queremos estar em todos os lugares e que para o armário a gente não vai voltar mais. Quando a gente convence os inimigos políticos, a gente mostra que conseguiu um feito, a gente conseguiu fazer a diferença”, pontuou Felix.
O protagonismo na democracia e a cultura periférica
A necessidade de ir além da formulação de políticas e garantir o protagonismo real nas decisões do Estado pautou as discussões. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) reforçou que celebrar a data é defender a própria cidadania. “É em nome do amor, do afeto, da liberdade e dos direitos que estamos nesta Casa, mais uma vez, comemorando o Dia do Orgulho e homenageando quem constrói, em vários espaços, os direitos a serem assegurados a todas as pessoas”, declarou a deputada.
A importância da ocupação de espaços também foi defendida pela produtora cultural e artista da cena ballroom, Gabrielle Paju, que conectou os direitos das minorias à estabilidade democrática do país.= “Uma democracia verdadeiramente forte é aquela em que a população mais vulnerabilizada não é apenas objeto de políticas públicas, mas protagonista dessa construção. Que possamos seguir construindo um DF e um Brasil onde travestis, pessoas trans, lésbicas, gays e bissexuais não apenas sobrevivam, mas ocupem, plenamente, todos os espaços de poder, cidadania e futuro”, defendeu Paju.
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O aspecto cultural e os obstáculos enfrentados por minorias nas periferias foram pontuados pelo artista visual e cantor Paulo Amaro, que trouxe um recorte social ao debate. “Ser um artista, bicha, que vem de uma quebrada, é um grande afrontamento ao sistema da arte”, desabafou.
O amanhã em pauta: o desafio do envelhecimento e a dignidade
Um dos momentos mais sensíveis da sessão tratou do futuro e da longevidade da população LGBTI+. A drag queen e comunicadora Pikineia trouxe uma reflexão contundente sobre o amparo social na velhice. “Como vai ser a nossa velhice? Eu não estou falando só da saúde mental, da saúde física, estou falando do dia a dia mesmo. Já é difícil para uma pessoa heterossexual, imagina para nós, LGBTs, para pessoas transgênero. Não é fácil. Então, a gente precisa colocar sim a mão na consciência e pensar no amanhã, mas o amanhã a gente precisa fazer hoje”, alertou a comunicadora.
O sentimento de conquista pelo simples direito de ocupar o parlamento local foi endossado por Michel Platini, presidente do Grupo Estruturação LGBT+ de Brasília, que traçou as metas essenciais de sobrevivência e dignidade que a comunidade ainda busca assegurar. “Estar aqui nessa tribuna, na Câmara Legislativa da capital do Brasil, falando em nome da comunidade LGBT+, já é, por si só, uma vitória. É lutar pelo direito de existir, pelo direito de amar, de formar as nossas famílias, pelo direito de andar de mãos dadas, de envelhecer com dignidade, pelo direito de estudar sem violência, de trabalhar sem esconder quem somos”, concluiu Platini.
A coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, Keka Bagno, finalizou lembrando que os canais de denúncia têm sido mais acionados graças ao fortalecimento da visibilidade e da coragem coletiva construída nos últimos anos. O Mês do Orgulho LGBTI+, celebrado mundialmente em junho, faz alusão histórica à Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York em 1969.

