Distrito FederalVacina do SUS funciona: Estudo da UnB mostra recuo de tipo agressivo do HPV no DF

Vacina do SUS funciona: Estudo da UnB mostra recuo de tipo agressivo do HPV no DF

Pesquisa com jovens aponta ausência do HPV16, principal causador do câncer de colo do útero

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Brasília (UnB) traz um panorama animador para a saúde pública e indica que o Brasil pode estar no caminho certo para controlar um dos tumores mais incidentes na população feminina. O monitoramento da circulação do HPV (papilomavírus humano) entre mulheres jovens atendidas pela rede pública do Distrito Federal revelou, em seus resultados preliminares, a ausência do HPV16, um dos subtipos de alto risco mais associados ao desenvolvimento do câncer de colo do útero no mundo.

O projeto, que já acompanha a população local há cerca de quatro anos, investiga quais genótipos do vírus ainda circulam após a introdução da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS). O foco está em uma geração que cresceu sob o calendário de imunização nacional, permitindo medir o impacto real da vacina na prática.

A professora Andrea Barretto Motoyama, coordenadora da atual etapa do estudo, explica que o projeto tem dois objetivos centrais: verificar a presença do vírus em mulheres jovens qualificadas para receber a vacina pelo SUS e identificar se os tipos de alto risco ainda persistem nas pacientes imunizadas.

“Os resultados preliminares são bons e mostram que o HPV16 não foi encontrado na nossa população. Isso indica que estamos no caminho certo para a erradicação do câncer de colo do útero”, afirma a pesquisadora.

Nova fase amplia monitoramento na rede pública

Após uma primeira etapa sob a coordenação da professora Fabiana Pirani Carneiro — financiada pela FAPDF e pela Fepecs —, o estudo entra agora em uma nova fase. Esta rodada conta com o apoio financeiro de uma emenda parlamentar da senadora Leila Barros e suporte administrativo da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).

Com o novo aporte, o universo da pesquisa será expandido com a inclusão de mais 250 voluntárias. Entre elas, até 120 mulheres que manifestaram alterações em exames anteriores passarão por um novo acompanhamento. Outras 130 participantes serão integradas ao grupo pela primeira vez, encorpando a base de dados epidemiológicos.

A coleta de dados e amostras está centralizada na Unidade Básica de Saúde 1 da Cidade Estrutural e no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), que atende moradoras de diversas regiões administrativas do DF.

Conscientização e próximos passos

Os pesquisadores planejam divulgar os dados parciais em publicações científicas ao longo dos próximos meses, enquanto a finalização do estudo deve ocorrer em um horizonte de 18 a 24 meses.

Além do monitoramento clínico e do fortalecimento da formação acadêmica na UnB, a iniciativa prevê a realização de ações educativas. O foco será reforçar a importância da imunização, da prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e da rotina de exames preventivos, como o Papanicolau. “Temos as ferramentas necessárias para erradicar o câncer de colo do útero. A vacinação é segura, protege contra o câncer e, associada ao rastreamento adequado e às práticas sexuais seguras, pode transformar essa realidade. Agora precisamos ampliar o acesso e a adesão a essas estratégias”, defende Andrea Motoyama.

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