| A Sessão Vitrine Petrobras convida jornalistas, críticos e criadores de conteúdo para a cabine de imprensa de XICA DA SILVA, de Cacá Diegues protagonizado por Zezé Motta, que retorna aos cinemas brasileiros em versão restaurada em 4K.
Lançado originalmente em 1976, o longa levou mais de 3,1 milhões de espectadores aos cinemas e se consolidou como uma das obras mais importantes da história do cinema brasileiro ao colocar uma mulher negra no centro da narrativa. Às vésperas de completar 50 anos, XICA DA SILVA volta às telas em cópia restaurada, preservando a força estética e política de um filme que permanece atual e relevante. A cabine acontece em 8 de julho (quarta-feira), às 10h30, no Espaço Petrobras de Cinema (Rua Augusta, 1475 – São Paulo) e é a primeira oportunidade para a imprensa conferir a versão restaurada em 4K de um dos maiores clássicos do cinema brasileiro.
O mundo vivia a Guerra Fria e o Brasil ainda estava longe da redemocratização. Era 1976 e, enquanto nos Estados Unidos Sylvester Stallone treinava ao som da trilha de Rocky, Um Lutador, por aqui Zezé Motta lançava seu feitiço sobre todos à sua volta enquanto Jorge Ben Jor cantava os versos do tema de XICA DA SILVA, enorme sucesso de Carlos Diegues. Às vésperas de completar 50 anos, o filme que reposicionou o protagonismo negro e feminino no cinema brasileiro será relançado em cópia restaurada pela Sessão Vitrine Petrobras em 16 de julho. O longa atraiu mais de 3,1 milhões de espectadores e conquistou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília. Numa época em que o Cinema Novo ainda exercia forte influência sobre o audiovisual brasileiro, Cacá Diegues procurou um caminho próprio. Sem abandonar preocupações políticas e históricas, XICA DA SILVA combina humor, erotismo, música, espetáculo e linguagem popular para colocar uma mulher negra no centro absoluto da narrativa. Adaptado do livro Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio, de João Felício dos Santos, o filme criou uma versão mais irreverente, sensual e subversiva da personagem histórica e foi frequentemente apontado como um comentário ousado — ainda que indireto — sobre o regime autoritário que governava o país em 1976. LEIA TAMBÉM
Chica da Silva foi uma mulher negra escravizada que, após conquistar a alforria, rompeu os padrões de sua época ao manter por cerca de 15 anos uma relação pública com João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes e um dos homens mais ricos do Império Português. Com ele teve 13 filhos, criados com privilégios raramente concedidos a descendentes de uma ex-escravizada. Após a partida de João Fernandes para Portugal, Chica assumiu a administração de parte dos negócios e consolidou uma posição de destaque na sociedade local. Além do imenso sucesso de público, XICA DA SILVA representou a consagração de Zezé Motta no imaginário brasileiro. A atriz, que já havia participado de filmes e produções televisivas, foi amplamente aclamada pela crítica e recebeu alguns dos principais prêmios do cinema nacional por sua atuação, entre eles o Prêmio Air France, o Coruja de Ouro, o Prêmio Governador do Estado e o já citado troféu de Melhor Atriz no Festival de Brasília. Cinco décadas depois, Zezé permanece como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, símbolo de resistência para a comunidade negra e figura fundamental nas discussões sobre representação racial no país. “Poucos filmes brasileiros carregam tantas cores quanto Xica da Silva. Restaurá-lo é preservar a força de uma obra que rompeu padrões, exaltou a cultura negra, colocou uma mulher no centro da narrativa e conquistou o público sem abrir mão de sua ousadia. A Sessão Vitrine Petrobras já relançou nos cinemas: A Hora da Estrela; Saneamento Básico – O Filme e São Paulo SA. Graças ao patrocínio da Petrobras é possível incluir filmes de patrimônio entre os lançamentos do projeto, resgatando a memória do audiovisual nacional e favorecendo a formação de uma cultura cinematográfica baseada em referências brasileiras, ação essencial para a valorização do nosso cinema”, afirma Silvia Cruz, idealizadora do projeto e sócia da Vitrine Filmes. A cópia restaurada de XICA DA SILVA será exibida pela primeira vez durante o Festival de Cinema de Ouro Preto, em 28 de junho. O evento também promoverá uma mesa de debate sobre o filme, com a participação de Renata Magalhães, viúva de Cacá Diegues e detentora dos direitos da obra e da restauradora Débora Butruce. A previsão é que o longa, definido por Leon Cakoff como “uma expressão de resistência ao regime de exceção no Brasil”, retorne aos cinemas em 16 de julho, integrando a programação da Sessão Vitrine Petrobras. Inscrições: |
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| SINOPSE Na segunda metade do século XVIII, a negra escravizada Xica da Silva torna-se o centro das atenções no Distrito Diamantino, onde estão as minas mais ricas do país. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo todos os seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal manda um emissário a fim de impedir que cresça o poder de Xica na colônia. |
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| O DIRETOR Nascido em Maceió, Alagoas, em 1940, Carlos José Fontes Diegues, o Cacá Diegues, foi um dos mais importantes cineastas brasileiros, dono de uma carreira que atravessou mais de os cinco décadas. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, atuou como jornalista e crítico de cinema e foi um dos fundadores do Cinema Novo, movimento que transformou a produção cinematográfica no país, ao lado de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Paulo César Saraceni e Joaquim Pedro de Andrade.Seu primeiro filme profissional como diretor foi Escola de Samba Alegria de Viver, episódio do longa-metragem Cinco Vezes Favela. Dirigiu, entre outros, Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966) e Joanna Francesa (1973), antes de assinar Xica da Silva (1976), seu maior sucesso comercial, que levou mais de três milhões de espectadores para o cinema e foi o primeiro de seus filmes a ser escolhido para representar o Brasil no Oscar. Foi selecionado três vezes para a disputa da Palma de Ouro no Festival de Cannes, com Bye Bye Brasil (1980), Quilombo (1984) e Um Trem para as Estrelas (1987). Dirigiu ainda clássicos como Tieta do Agreste (1996), Deus É Brasileiro (2003) e O Grande Circo Místico (2018), antes de falecer no início de 2025, deixando como obra derradeira o longa Deus Ainda É Brasileiro. FILMOGRAFIA (só longas) |
| ELENCO Zezé Motta | Xica da Silva Walmor Chagas | Comendador João Fernandes Altair Lima | Intendente Elke Maravilha | Hortência Stepan Nercessian | José Rodolfo Arena | Sargento-Mor José Wilker | Conde de Valadares Marcus Vinícius | Teodoro João Felício dos Santos | Padre Dara Kocy | Zefina Adalberto Silva | Cabeça Julio Mackenzie | Raimundo Beto Leão | Mathias Luis Motta | Taverneiro Paulo Padilha | Ourives Baby Conceição | Figena Iara Jati | Tonha Luis Felipe | Major Alberto Patu | Garimpeiro Derly Barbosa | Tropeiro Paulão | Mucamo Pompeo | MucamoFICHA TÉCNICA Direção | Carlos Diegues Roteiro | Carlos Diegues e Antonio Callado Baseado no livro Memórias do Distrito de Diamantina a Comarca do Serro Frio | João Felicio dos Santos Produção | Hélio Ferraz, José Oliosi, Airton Correa e Jarbas Barbosa Fotografia | José Medeiros Montagem | Mair Tavares Direção de Arte e Figurino | Luiz Carlos Ripper Caracterização | Carlos Prieto Música | Jorge Ben Jor e Roberto Menescal Som | Vitor Raposeiro Gênero | comédia Dramática / histórico Distribuição | Vitrine Filmes Duração | 117 min País e ano de produção | Brasil, 1976 |

O relançamento nacional acontece em 16 de julho, pela Sessão Vitrine Petrobras