ArtigosPortões trancados e mato alto: A agonia do Zequinha Roriz às vésperas dos 100 anos do Luziânia

Portões trancados e mato alto: A agonia do Zequinha Roriz às vésperas dos 100 anos do Luziânia

Templo esportivo tradicional da cidade sofre com a falta de manutenção da prefeitura e afasta torcedores do seu maior patrimônio

O Vazio de Concreto e a Traição ao Centenário: A Agonia do Zequinha Roriz O Estádio Municipal Zequinha Roriz  carinhosamente eterno como Serra do Lago, já não brada mais. Onde antes pulsava o coração Azulão do Planalto, hoje reina o silêncio sufocante do abandono. O que deveria ser o templo do esporte, da convivência e do orgulho luzianiense transformou-se em um monumento à negligência do poder público municipal.

A omissão escancarada da Prefeitura de Luziânia e da Secretaria Municipal de Esportes condena um dos patrimônios mais simbólicos da cidade ao esquecimento. Arquibancadas que já tremeram com o grito de milhares de torcedores hoje são invadidas pelo mato alto, rachaduras e o mofo do descaso. O gramado, que abrigou conquistas históricas, virou um terreno baldio abandonado pela própria administração que deveria zelá-lo.

O Abandono em Pleno Ano do Centenário

Para a torcida e para a história da cidade, o cenário não poderia ser mais cruel. Fundado no dia 13 de dezembro de 1926, o clube aproxima-se da glória máxima de alcançar o seu Centenário. Um marco histórico que pouquíssimas instituições do futebol brasileiro têm o privilégio de ostentar.

Contudo, às vésperas de completar 100 anos de história, de conquistas e de representatividade, a resposta que o clube recebe do poder público não é de celebração, mas de ingratidão. A classe política local virou as costas para uma instituição centenária. Deputados, vereadores, prefeitos e secretários que em épocas de eleição adoram vestir a camisa e se promover às custas da paixão do povo, hoje dão as costas e ignoram a agonia do principal patrimônio esportivo do município.

O Drama da Arquibancada Vazia

Para a torcida do Luziânia, o descaso se traduz em uma dor diária. Já se passam mais de três anos sem ver o time da cidade jogar em casa. Três longos anos em que o torcedor foi sumariamente privado do seu maior ritual de lazer, paixão e identidade local.

Como se apoia um clube no momento mais importante da sua história — o seu Centenário — sem o seu chão? Como se mantém viva uma tradição centenária quando os políticos trancam as portas da sua própria casa? A ausência do Serra do Lago causou um trauma profundo na comunidade esportiva.

Aperto no Peito do Torcedor

A experiência de caminhar rumo ao estádio no fim de semana, envergando as cores do Azulão, virou uma memória distante e dolorosa.

A Perda do Mandamento de Campo: Sem poder atuar sob o calor da sua gente, o Luziânia virou um “eterno visitante”, atuando de portões fechados ou peregrinando por cidades vizinhas, descaracterizando sua força e sua história.

O Vazio Cultural e Social

O esporte local perdeu seu ponto de encontro. Famílias, jovens e antigos torcedores foram orfanados de um espaço público sagrado de lazer.

O Preço da Indiferença Política

O abandono do Zequinha Roriz não é apenas uma falha de manutenção; é uma traição à alma esportiva de Luziânia e um desrespeito com uma história de quase cem anos. Enquanto a classe política lava as mãos e a Secretaria de Esportes empurra o problema com a barriga, quem paga a conta é a população. O estádio se deteriora a cada dia de sol e chuva, encarecendo qualquer futura reforma e expondo o tamanho da insensibilidade dos governantes.

Luziânia respira futebol, mas teve seus pulmões fechados pela covardia de quem deveria apoiar a cidade. No dia 13 de dezembro, o clube celebrará 100 anos de existência, mas a maior vergonha de seu centenário estará do lado de fora dos gramados: o portão trancado do Serra do Lago. A torcida do Azulão não pede favores políticos — exige respeito à sua história e o direito inalienável de voltar para casa.

Por José Egídio, autor da Página Recordar Luziânia

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