Governador defende urgência na aprovação de leis que assegurem o equilíbrio fiscal do Estado e de outras unidades da federação. “Goiás cortou 8% das despesas, fez as reformas da Previdência, do Estatuto do Servidor e corte dos incentivos fiscais. Agora, precisamos de uma lei para que realmente se tenha o mínimo de tranquilidade”, afirma
O governador Ronaldo Caiado participou em Brasília, na tarde desta terça-feira (3/11), de uma série de reuniões para dialogar sobre medidas que visam garantir o equilíbrio fiscal dos Estados. Ele defendeu “ação conjunta” que seja capaz de resolver o problema de endividamento enfrentado por Goiás e outros Estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a partir da aprovação de uma legislação sobre o assunto.
“Devido à situação difícil dos Estados, não dá mais para esperar”, informou Caiado. Ele referiu-se ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal, que ficou conhecido como Plano Mansueto, mas que não avançou no Congresso Nacional. Agora, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei complementar (PLP) 101/2020, uma espécie de atualização da proposta anterior. “Precisa ser aprovado o mais rápido possível”, continuou.
Acompanhado da secretária da Economia, Cristiane Schmidt, a primeira agenda do governador na capital federal foi com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Na sequência, Caiado e vários outros governadores estiveram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Nas reuniões com os representantes do Poder Legislativo, a tratativa foi no sentido de garantir consenso na construção do texto do PLP 101, para que seja colocado em votação ainda este ano.
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Conforme divulgado pela imprensa, Maia teria se comprometido a colocar o projeto em votação no próximo dia 17. Alcolumbre se comprometeu a incluir a matéria na pauta do Senado 48 horas após votação pela Câmara.
Na sequência, a comitiva de governantes foi até o Ministério da Economia para uma reunião com o secretário Especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Caiado afirmou que a conversa visou sensibilizar o governo federal, para que também priorize o assunto.
Ao exemplificar a importância da aprovação do projeto, o governador lembrou que atualmente o Estado sobrevive graças a uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspende o pagamento das dívidas junto à União. No entanto, ela vence em 31 de dezembro. “Goiás não tem como arcar com essa situação se não tivermos esse projeto de lei aprovado.”
Sobre o teto de gastos, que é um dos tópicos abordados no PLP 101, Caiado defendeu uma maneira de “regularizar o alongamento da dívida” para que os Estados consigam assumir e cumprir seus compromissos. No caso de Goiás, frisou que o desrespeito ao teto de gastos foi herdado da gestão anterior, referente ao ano de 2018. “Se não tivermos como regularizar essa situação, vamos pagar uma multa de R$ 350 milhões. Isso nos impõe uma situação de insolvência completa.”
Caiado lembrou, ainda, que desde que assumiu o governo estadual, com déficit de R$ 4,2 bilhões e R$ 1,6 bilhão em salários atrasados, trabalha arduamente para “fazer a tarefa de casa” e ingressar no Regime de Recuperação Fiscal (RRF). “O Estado de Goiás cortou 8% das suas despesas, fez a reforma da Previdência, fez a reforma do Estatuto do Servidor, fez corte dos incentivos fiscais. Agora, nós precisamos ter uma lei para que realmente tenha o mínimo de tranquilidade”, concluiu.

