JustiçaMensagens Moraes e Vorcaro expõem STF a vergonha internacional

Mensagens Moraes e Vorcaro expõem STF a vergonha internacional

El País diz que caso caiu "como uma bomba" a menos de cinco semanas das eleições e repercute troca de mensagens entre ministro e banqueiro Daniel Vorcaro

 

Mais uma bomba vergonhosa para o Brasil. O Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da Constituição, aparece de novo no centro de um escândalo que corre o mundo. O escândalo do Banco Master é considerado o maior rombo e a maior fraude financeira da história recente do país.

As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e mostram o nível de intimidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, hoje preso.

Conforme revelou O Estado de S. Paulo, os últimos dias de Vorcaro como dono do Master, antes da liquidação do banco e de sua prisão pela Polícia Federal, em novembro de 2025, foram marcados por convites ao ministro Alexandre de Moraes para que ambos se encontrassem e conversassem sobre a situação do banqueiro, então já sob espreita da Operação Compliance Zero. As mensagens indicam que eles se encontraram nos dias 14 e 16 de novembro, três dias e um dia antes da prisão.

A matéria de O Estado de S. Paulo também explica o esquema usado para apagar rastros: o banqueiro e o ministro trocavam mensagens em modo de visualização única, por meio de capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular. Dessa forma, apenas o conteúdo das mensagens enviadas por Vorcaro pôde ser extraído pelos investigadores através do cruzamento de informações armazenadas no celular do banqueiro.

Ainda segundo O Estado de S. Paulo, foi assim que ele perguntou a Moraes dois dias antes de ser preso: “Você acha que eu deveria estar fora do país até segunda?”.

A resposta sumiu. Mas na segunda à noite, Vorcaro foi pego em Guarulhos tentando fugir num jato particular para Malta e depois Dubai.

O jornal espanhol El País destacou a gravidade do caso: “As mensagens indicam um nível de intimidade que levou o banqueiro — então sob investigação e agora preso — a perguntar ao juiz se era hora de fugir do Brasil. ‘Você acha que eu deveria estar fora [do país] até segunda-feira?’, perguntou o dono do Banco Master, agora em prisão preventiva por uma fraude colossal, ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes via WhatsApp, dois dias antes de sua prisão em novembro de 2025. A resposta de Moraes é desconhecida, mas, de fato, naquela segunda-feira à noite, a polícia prendeu o banqueiro quando ele estava prestes a embarcar em um avião particular com destino ao exterior.

Esta e outras mensagens enviadas pelo banqueiro ao magistrado brasileiro foram reveladas na terça-feira, com o levantamento do sigilo que protegia as mensagens enviadas pelo primeiro ao segundo. Moraes permanece em silêncio diante dessas revelações, que caíram como uma bomba a menos de cinco semanas das eleições.”

Hoje, o presidente da Corte, Edson Fachin, publicou uma nota oficial, publicada no site do STF.

Leia na íntegra a nota de Fachin:

“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição.

Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza.

A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal.

Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias.

Brasília, 2 de setembro de 2026.

Ministro Luiz Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal”

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