A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (4), a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão, proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), traz à tona detalhes de um esquema que, segundo as investigações, utilizava táticas de vigilância e intimidação contra opositores. As informações foram confirmadas pelo portal G1.
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Estrutura de intimidação
De acordo com o ministro André Mendonça, Vorcaro mantinha, junto a comparsas, uma estrutura dedicada à vigilância e intimidação de pessoas vistas como contrárias aos interesses do grupo financeiro.
Além das ameaças, a PF revelou uma “interlocução próxima” entre o banqueiro e servidores estratégicos do Banco Central (BC). O ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Belline Santana são apontados como “consultores” de Vorcaro, fornecendo informações privilegiadas para beneficiar o esquema.
O maior rombo financeiro do país
O caso do Banco Master pode representar a maior fraude financeira já praticada no Brasil. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima que os ressarcimentos a clientes prejudicados pela venda de títulos de crédito falsos podem ultrapassar os R$ 50 bilhões.
Para conter a organização, a Justiça determinou o sequestro e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, além de afastar servidores de cargos públicos e cumprir 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.
Justiça
A prisão de Vorcaro marca a primeira grande decisão de André Mendonça como relator do caso, após assumir a função no lugar do ministro Dias Toffoli. Em novembro do ano passado, Toffoli chegou a ordenar a prisão do banqueiro após uma tentativa de fuga para a Europa, mas havia substituído a medida pelo uso de tornozeleira eletrônica pouco tempo depois.
O processo tramita no Supremo devido a indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, embora nenhum nome com essa prerrogativa figure oficialmente entre os investigados até o momento.
Em nota ao G1, a defesa de Daniel Vorcaro negou categoricamente todas as alegações. Os advogados afirmaram que o banqueiro “sempre esteve à disposição das autoridades” e confiam que o devido processo legal demonstrará a regularidade de sua conduta. Já a defesa de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro também alvo de prisão, declarou que ele se apresentou espontaneamente e está à disposição da Justiça.

