Ministro Alexandre Moraes pediu novo inquérito para investigar casal e aliados de Bolsonaro sobre rede virtual de atos antidemocráticos
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu inquérito, na quinta-feira (1º/7), para investigar se o empresário Luís Felipe Belmonte (foto em destaque) teria ajudado a financiar uma suposta “organização criminosa”, criada por uma rede de aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para atuar no mundo digital e propagar discursos antidemocráticos. As informações são do Metrópoles.
Segundo Alexandre de Moraes, o marido da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) seria responsável por repasses milionários à empresa Inclutec H Tecnologia da Informação, cerca de R$ 700 mil, além de R$ 1.050.000 com destino à conta da pessoa física de Sérgio Ferreira Lima, proprietário da consultoria e marqueteiro da Aliança do Brasil, sigla organizada por Bolsonaro.
Lima garantiu ao STF que parte do valor seria uma espécie de “empréstimo” concedido por Belmonte, um dos maiores entusiastas da legenda a ser criada pelo titular do Palácio do Planalto.
“Na análise do celular apreendido, identificou-se a existência de diálogo em que Luís Felipe Belmonte conversa com sua esposa, deputada Paula Belmonte, sobre a criação de uma empresa de eventos. Explica que tal empresa foi montada com o intuito de justificar o dinheiro (R$ 2 milhões) de caixa dois investido na campanha de ‘Ivan’”, destaca o ministro na argumentação.
Sobre esse ponto, Moraes determinou uma investigação específica com duração de 90 dias para apurar indícios de crime.
O relator do inquérito sobre os atos antidemocráticos também identificou, a partir da quebra do sigilo bancário da Inclutec, repasses dos parlamentares Aline Sleutjes, Elieser Girão (General Girão), José Negrão Peixoto (Guiga Peixoto) e também de Bia Kicis, em valores que somam R$ 30,3 mil. De acordo com Sérgio, tais valores estariam relacionados à prestação de serviço de desenvolvimento de redes sociais desses congressistas.
No caso específico da deputada Aline Sleutjes, o ministro do STF determinou nova investigação para apurar repasses feitos por servidores do gabinete para a conta da parlamentar. A Polícia Federal apontou a existência de indícios da prática, em tese, de infração penal pela referida congressista.
Moraes também encontrou repasse de valores que somam R$ 500 mil de uma confecção situada na Rua 25 março, em São Paulo (SP), de propriedade de uma pessoa de origem chinesa.
“Em sua promoção de arquivamento, a própria Procuradoria-Geral da República entendeu necessário o aprofundamento das diligências em relação aos novos fatos surgidos durante a investigação realizada pela Polícia Federal”, reafirmou Moraes.

