A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta terça-feira (9), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que a governadora em exercício do DF, Celina Leão, recebeu uma “herança maldita” ao assumir a crise do Banco de Brasília (BRB). A declaração ocorreu durante o depoimento do presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, cobrado pelos parlamentares sobre um suposto rombo financeiro e a falta de transparência em operações com o Banco Master.
Os senadores questionaram o executivo sobre três pontos críticos: o valor real das perdas decorrentes dos negócios com o Banco Master liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro passado , as condições do acordo de reestruturação homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o atraso na divulgação do balanço financeiro do BRB de 2025.
Defesa de Celina Leão e “Herança Maldita”
Ao tomar a palavra, Damares Alves não poupou críticas à gestão anterior do banco e relatou o desgaste que o escândalo tem trazido para a bancada do DF e para o Palácio do Buriti. Direcionando-se a Nelson Antônio de Souza, indicado pelo governo passado, a senadora desabafou sobre a pressão que os parlamentares sofrem nas ruas. “E vou lhe dizer uma coisa, o senhor já foi internado, mas nós também estamos perdendo o sono. (…) A gente não pode dar um pulo na rua. A gente não pode sair. Nós somos o tempo todo questionados e nós temos compromisso com o nosso eleitor”, afirmou a senadora.
Na sequência, Damares defendeu Celina Leão, classificando a crise institutional do BRB como um problema herdado pela atual chefe do Executivo local. “Eu queria trazer aqui para a mesa também uma pessoa que não está dormindo, que está nervosa, preocupada e já adoeceu, que é a atual governadora. Que é uma herança maldita sim. Desculpa, o senhor foi indicado pelo antigo governo, mas a minha atual governadora herdou uma herança maldita. E ela foi muito sábia quando disse que sucessão não é, de forma alguma, o que todo mundo estava pensando: conveniência, conivência com o erro. Ela está tendo a coragem. A minha governadora está fazendo o que pode para resolver. No momento em que ela tinha que estar se dedicando a cuidar do povo — e Celina sabe cuidar do povo —, Celina está gastando energia e tempo para resolver problema que ela herdou. Quem causou o problema é que vai ter que responder”, disparou Damares.
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Investigações e desdobramentos
A senadora demonstrou apoio às investigações em curso e sinalizou que novos fatos devem vir à tona com o avanço dos trabalhos da Polícia Federal. Ela demonstrou confiança na condução do caso e no papel do Judiciário para estancar a crise na principal instituição financeira pública do DF. “Eu sei que tem coisa que o senhor não pode falar porque está na Polícia Federal. Eu confio no ministro André Mendonça que está conduzindo a questão do Banco Master, mas eu sei que vai vir muita coisa ainda, muita coisa. E eu queria, presidente, eu sei que a nossa comissão não tem poder de polícia de quebra de sigilo por enquanto”, concluiu a parlamentar, deixando aberta a possibilidade de endurecimento das investigações no Congresso.

