O protagonismo jovem na educação ganhou um novo capítulo no Distrito Federal. Estão abertas até o dia 18 de setembro as inscrições para o Brasília Finance Challenge, uma competição estudantil de investimentos totalmente idealizada, organizada e conduzida por alunos do Ensino Médio. Voltado a estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio das redes pública e particular, o projeto é 100% gratuito e não exige nenhum conhecimento prévio no mercado financeiro.
O evento é liderado pelos integrantes do Clube de Finanças do Colégio Marista de Brasília, jovens de 17 anos que trazem na bagagem um feito histórico: conquistaram o 2º lugar mundial na Wharton Global High School Investment Competition, promovida pela Universidade da Pensilvânia (EUA). Eles foram a única equipe da América Latina na história a subir ao pódio do torneio. Em vez de guardarem a experiência para si, os estudantes decidiram mobilizar a comunidade escolar do DF para democratizar o conhecimento.
“Quando fomos para a competição internacional da Wharton, ficamos encantados, mas percebemos que a educação financeira no Brasil ainda é muito limitada e escassa”, explica Nathan Torres, 17 anos, um dos organizadores. “Uma grande parte dos estudantes já sai do colégio ou da faculdade já endividada. Queríamos trazer essa forte cultura de aprendizado prático para cá e ajudar todo mundo.”
Como funciona a competição
No Brasília Finance Challenge, os participantes atuam como verdadeiros gestores de investimentos. O desafio proposto pelos estudantes organizadores consiste em analisar o perfil de um cliente institucional simulado e criar uma estratégia completa de portfólio.
- Esplanada terá alterações no trânsito neste sábado (5)
- Banco de Leite do HRT passa por reforma e tem atendimento temporariamente restrito em Taguatinga
- Aprovada por 48,4%, Celina lidera corrida ao GDF com 32% das intenções de voto, aponta pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política
- Raimundo Ribeiro, presidente da Adasa, detalha plano contra a seca no DF em entrevista ao Vozes da Comunidade nesta sexta
- Governo do DF nomeia 2.681 professores e amplia atendimento em 800 escolas
A dinâmica do torneio é dividida em duas etapas:
1ª fase (simulador e relatório): Durante quatro semanas, as equipes utilizam o simulador How the Market Works (a mesma ferramenta oficial do torneio global de Wharton) para gerir uma carteira fictícia de US$ 100 mil em tempo real, vivenciando o mercado com dados e horários reais. Paralelamente, entregam um relatório de até 5 páginas justificando suas escolhas.
2ª fase (grande final presencial): As cinco equipes classificadas avançam para a final presencial em Brasília, onde apresentam um pitch de 10 minutos defendendo sua estratégia diante de uma banca de jurados, seguido de uma sessão de perguntas e respostas.
Aprendizado na prática sem risco financeiro
Para os criadores do projeto, o principal diferencial do evento é permitir que o estudante viva a experiência do mercado sem correr riscos reais.
“O acesso à prática em finanças costuma ser nulo. O único jeito de praticar é colocando o próprio dinheiro e, muitas vezes, perdendo tudo por falta de conhecimento”, destaca Gustavo Nogueira, 17 anos. “No simulador, o aluno pode aprender errando ou acertando. Quando ele for investir o dinheiro dele no futuro, a chance de perder ou se endividar é muito menor.”
Acessibilidade, inclusão e escolas públicas
Dispostos a levar o projeto a todas as realidades do DF, os organizadores criaram semanas de testes na plataforma, materiais didáticos simplificados para mídias sociais e workshops. Além disso, os próprios estudantes protocolaram ações junto à Secretaria de Educação do DF para ministrar oficinas diretamente em colégios públicos.
A liderança jovem também atua para romper barreiras de gênero no setor. “Simplificando o acesso, nossa missão é mostrar que qualquer pessoa, independente de gênero, raça ou origem, pode aprender finanças. Hoje, cerca de 40% das inscrições já são de garotas”, celebra Gustavo.
Premiação em dinheiro para impulsionar o futuro
Mostrando o compromisso de conectar a simulação à vida real, haverá premiação em dinheiro para as equipes mais bem colocadas, além de certificados de finalistas. Os valores conquistados serão depositados diretamente em contas oficiais de investimento.
“Queremos servir como uma porta de entrada. Com esse prêmio, o aluno já dá os primeiros passos investindo no mundo real assim que sai da competição”, conclui Adriano Bonfim, 17 anos.

