EconomiaComércio exterior: Brasil barra etanol em novas tratativas econômicas com os EUA

Comércio exterior: Brasil barra etanol em novas tratativas econômicas com os EUA

Apesar do avanço em investimentos e tecnologia, diplomacia brasileira blinda setor sucroenergético contra subsídios estrangeiros

As tratativas comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos ganharam novos rumos após as últimas reuniões bilaterais de economia. Embora as duas maiores potências econômicas das Américas tenham registrado avanços significativos na facilitação de comércio, desburocratização de investimentos e cooperação em tecnologia, o governo brasileiro adotou uma postura firme de cautela e decidiu manter o etanol completamente fora da mesa de negociações neste momento.

A decisão de excluir o biocombustível reflete o pragmatismo da diplomacia comercial brasileira. O setor sucroenergético nacional vive um período de consolidação interna e o governo avalia que abrir o mercado para o etanol norte americano de milho, altamente subsidiado, poderia desestabilizar os produtores locais de cana de açúcar. Interlocutores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que qualquer acordo envolvendo o setor de combustíveis renováveis exige uma reciprocidade que o mercado dos Estados Unidos ainda não está disposto a oferecer devido às suas próprias barreiras tarifárias e protecionismo agrícola.

A estratégia do Brasil consiste em priorizar o avanço em outras frentes de exportação menos sensíveis, onde há consenso imediato entre Washington e Brasília. Setores como a indústria de transformação, exportação de aço e cooperação em transição energética focada em hidrogênio verde continuam na pauta prioritária. Ao blindar o etanol das discussões atuais, o país ganha tempo para acompanhar as oscilações globais de preços dos combustíveis e as futuras diretrizes da política ambiental norte americana nas urnas.

Representantes do setor produtivo brasileiro manifestaram apoio à condução das conversas pelo Itamaraty e pela equipe econômica. A avaliação geral é de que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta e que a pressa para assinar acordos tarifários no setor de biocombustíveis poderia comprometer os investimentos realizados na modernização das usinas nacionais. A meta agora é focar na ampliação de mercados na Europa e na Ásia, onde o produto brasileiro tem encontrado menor resistência protecionista.

Com informações da Agencia Brasil

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