Goiás"Sabor amargo da derrota": Márcio Corrêa eleva tom contra Wilder Morais e escancara racha no PL de Goiás

“Sabor amargo da derrota”: Márcio Corrêa eleva tom contra Wilder Morais e escancara racha no PL de Goiás

Prefeito de Anápolis respondeu a ataques do senador, resgatou gravações da Operação Monte Carlo e lembrou que Wilder promoveu jantar em barco no Lago Paranoá para viabilizar nome de Alexandre de Moraes ao Supremo

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), rebateu em vídeo na noite desta sexta-feira (4) a declaração do senador Wilder Morais (PL) de que seria um político “sabor direita” e devolveu a provocação chamando o correligionário de “sabor Cachoeira”, “sabor Morais”, “sabor Messias” e “sabor rabo preso”.

“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Morais’, ‘sabor Messias’, ‘sabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’. Mas o seu sabor, senador, é sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, afirmou. O prefeito ainda acusou Wilder de priorizar ataques pessoais em vez de apresentar propostas. “O senhor tinha de gastar esse tempo para apresentar propostas e projetos consistentes que resolvam a vida do cidadão”, disse.

Ao falar em “sabor Cachoeira”, Márcio resgatou um capítulo da trajetória do senador envolvendo o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em gravações da Polícia Federal reveladas no âmbito da Operação Monte Carlo, Cachoeira atribui a si próprio participação direta na ascensão de Wilder. “Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso”, afirma. Wilder responde: “Pensa um cara que nunca teria, enfim, encontrado um governo, que nunca teria sido ‘merda’ nenhuma, cara. Você tá falando com esse cara”. Em 2012, Wilder assumiu no Senado a vaga aberta após a cassação de Demóstenes Torres.

Já a referência a “sabor Messias” remete ao dia 29 de abril deste ano, quando o senador não compareceu à votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias enfrentava forte oposição do PL e precisava de maioria absoluta para ser aprovado. A ausência de Wilder retirou da votação um potencial voto contrário ao indicado de Lula. O registro oficial do Senado aponta “não compareceu”. Mesmo ausente, o senador publicou depois um vídeo comemorando a rejeição, atitude que gerou críticas dentro da própria direita.

O “sabor Morais” diz respeito à articulação de Wilder em 2017 para a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo. O senador promoveu, em sua própria embarcação no Lago Paranoá, em Brasília, um jantar entre o então indicado e senadores responsáveis por analisar seu nome. O encontro foi tratado à época como uma espécie de “minissabatina”. Anos mais tarde, já no STF, Moraes se tornaria protagonista dos embates com o bolsonarismo e relator de decisões contra Jair Bolsonaro (PL).

No vídeo, Márcio ainda atacou o desempenho de Wilder na campanha e o acusou de se distanciar da população. “Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”, cobrou. Em outro trecho, classificou a candidatura do senador como “projeto falido” e “barco que está afundando”. “Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, declarou.

Márcio anunciou em 22 de agosto apoio à reeleição de Daniel Vilela. A decisão abriu crise interna no PL e resultou na abertura de processo ético-disciplinar contra o prefeito. Principal gestor municipal do partido em Goiás e prefeito de Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Márcio afirma que mantém apoio a nomes ligados à direita, entre eles Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo.

Últimas