Distrito FederalFecomércioIntenção de consumo das famílias do DF fica abaixo da zona de satisfação, aponta CNC

Intenção de consumo das famílias do DF fica abaixo da zona de satisfação, aponta CNC

Neste Dia do Cliente, celebrado em 15 de setembro, os indicadores mostram um consumidor mais cauteloso no Distrito Federal. Com 78,8% das famílias endividadas e 50,9% com contas em atraso, a situação financeira também se reflete na disposição para consumir. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) do DF ficou em 98,7 pontos em agosto, marcando o segundo mês consecutivo abaixo de 100 pontos, que separa a percepção de satisfação da de insatisfação. No Brasil, o indicador ficou em 103,9 pontos.

Em junho, o ICF do Distrito Federal ainda estava na zona de satisfação, com 103,2 pontos. O índice caiu para 99,5 em julho até chegar à menor medição nos últimos 12 meses.

Ao estratificar, a análise por faixa de renda mostra diferenças no comportamento das famílias. Entre aquelas com rendimento de até dez salários mínimos, o ICF ficou em 91,3 pontos, contribuindo para a queda do indicador geral. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice alcançou 114,7 pontos, mantendo-se na zona de satisfação.

Os componentes da pesquisa também mostram um cenário de contrastes. Os indicadores de emprego atual, com 122,9 pontos, e renda atual, com 119,1 pontos, permanecem acima da zona de satisfação. Por outro lado, o consumo atual ficou em 80,1 pontos e o acesso ao crédito, em 92,9. O indicador que avalia o momento para a compra de bens duráveis chegou a 61,3 pontos, sinalizando menor disposição para aquisições de maior valor e, principalmente, aquelas que dependem de financiamento ou parcelamento.

Apesar da maior cautela das famílias, a atividade econômica mantém resultados positivos no acumulado do ano. O comércio varejista do Distrito Federal cresceu 7,4% no primeiro semestre, enquanto o setor de serviços avançou 9,1% no mesmo período, segundo pesquisas do IBGE. Os dados indicam, portanto, que o consumidor continua no mercado, mas tem adotado critérios mais rigorosos para definir quanto, como e onde comprar. Na avaliação do presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o cenário aumenta a importância de estratégias que combinem preço, atendimento, relacionamento e condições adequadas de pagamento para sustentar as vendas.

“Esse cenário reforça a necessidade de compreender melhor o cliente. O consumidor do Distrito Federal continua comprando, mas está mais cauteloso e atento ao orçamento. O avanço da inadimplência e a menor disposição para compras de maior valor mostram que preço, atendimento, confiança e condições de pagamento serão cada vez mais importantes para o comércio e os serviços”, afirma.

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