Pular para o conteúdo principal
agênciaBrasil
radioAgência
rádioMEC
rádioNacional
- ONU apresenta propostas para a proteção dos direitos das mulheres
- Entidades relatam agressões a mulheres candidatas a cargos políticos
- Lei estabelece protocolo de atendimento a vítimas de violência física e sexual
- Perícia indica precipitação voluntária na morte de Isabelle no Ceará
- Polícia apura possível indução ao suicídio na morte de Isabelle no Ceará
tvBrasil
|
carta de serviços
|
transparência
POR
ENG
ESP
Últimas Notícias
|
Cultura
Direitos Humanos
Economia
Educação
Esportes
Geral
Internacional
Justiça
Meio Ambiente
Política
Saúde
Versão em áudio
No Brasil, quatro em cada dez mulheres (39%) já abriram mão de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional devido a dificuldades de deslocamento. Os principais fatores são a falta de segurança, os custos que teriam que arcar para o transporte, o tempo necessário e a distância dos locais, conforme aponta a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, da Indique, consultoria de diversidade e inclusão racial, em parceria com a organização feminista Think Eva e a 99.
Mais da metade (54%) também deixou de comparecer a compromissos de trabalho ou recusou convites por razões semelhantes. Além disso, um quinto (21%) já desistiu de realizar alguma capacitação, incluindo faculdade.
O estudo destaca que as mulheres frequentemente abdicam não apenas de experiências e conquistas no âmbito profissional ou educacional, mas também de interações sociais e de bem-estar. Oito em cada dez (80%) faltaram a encontros, eventos ou atividades, sendo que um terço renunciou a atividades físicas ou de lazer (33%) e a visitas a familiares e amigos (32%), enquanto 69% deixaram de sair à noite.
Entrevistas realizadas com 564 mulheres de diferentes idades, classes e regiões do país revelaram que a insegurança ou violência é o principal impedimento, apontado por 32% delas. A falta de dinheiro (22%) ocupa a segunda posição, seguida pela precariedade do transporte público (15%) e pela distância dos locais que precisam acessar (14%).
A sensação de insegurança leva a maioria a evitar certos bairros ou regiões da cidade (87%) e a planejar horários (73%). Para se proteger, 63% já evitaram algum meio de transporte e 60% mudaram o trajeto até o destino.
Uma das mulheres que participou da pesquisa relatou que a aprovação em uma graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não foi considerada uma vitória. Ela desistiu do curso porque não conseguiria chegar a tempo ao campus, já que parou de usar ônibus após ter sido assaltada diversas vezes.
Outro aspecto relevante é a preocupação com o assédio sexual. O levantamento constatou que 89% das entrevistadas relataram ter sido vítimas em pelo menos um tipo de veículo, com predominância de ônibus (68,8%), deslocamentos a pé (60,8%) e de metrô ou trem (50,2%). A bicicleta e a moto por aplicativo aparecem como opções que as deixam menos vulneráveis, mas ainda assim são mencionadas por 6,6% e 4,1% das participantes, respectivamente.
Automóveis
Os carros por aplicativo são uma opção recorrente para oito em cada dez mulheres entrevistadas (80%). Apesar de serem mais caros, 67% das entrevistadas de periferias e áreas com deficiências estruturais e de transporte optam por esse meio.
No total, 68% das entrevistadas afirmaram não ter veículo próprio e 52% gastam mais de uma hora por dia em deslocamento. Quase metade (45%) considera as condições de mobilidade de seus endereços piores em comparação ao centro da cidade, e 33% classificam o transporte público de seu bairro como ruim ou péssimo.
Outra conclusão é que a renda influencia diretamente o acesso a diferentes modais de transporte. Oito em cada dez (80,3%) mulheres de baixa renda utilizam ônibus regularmente, em contraste com 52,1% entre as de alta renda. O carro próprio, por sua vez, é utilizado regularmente por 40,6% das mulheres de alta renda, enquanto apenas 8,3% das mulheres de baixa renda fazem o mesmo.
Mulheres como cuidadoras
Uma das funções historicamente atribuídas às mulheres é o cuidado, que também estabelece rotinas específicas. Segundo o estudo, 54% das entrevistadas afirmam que realizam esse tipo de trabalho sozinhas, enquanto 38% dividem essa responsabilidade com outras pessoas.
Esses dados explicam por que o trajeto de muitas mulheres não se limita ao percurso casa-trabalho e vice-versa, incluindo paradas no caminho. As que planejam sozinhas os trajetos relacionados ao cuidado, como levar filhos à escola, idas a consultas médicas, farmácias e compras, representam 43%, sendo que 44% escolhem o veículo a ser utilizado com base nessas responsabilidades.
Os carros por aplicativo são utilizados por 53% das mulheres quando transportam dependentes, sejam filhos, idosos ou pessoas com deficiência.
Sobre a coleta de dados
A etapa quantitativa foi realizada entre 8 de junho e 9 de julho de 2026, com 564 mulheres entre 18 e 60 anos, abrangendo as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Manaus e Belém, além de outras 73 cidades brasileiras.
As organizações também coletaram contribuições de especialistas em temas como planejamento urbano, direito à cidade, mobilidade feminina, desigualdades territoriais, periferias e mobilidade ativa.

