Em entrevista ao Programa Vozes da Comunidade deste sábado(30), Cristiano Severo, bancário do BRB e líder sindical, expôs as graves consequências da gestão passada sob o comando de Paulo Henrique Costa, detalhou o processo de salvamento da instituição e exigiu a responsabilização jurídica e financeira de todos os envolvidos no escândalo da operadora Master.
O impacto na saúde dos bancários do BRB
Cristiano Severo não poupou críticas ao cenário herdado da administração anterior, classificando-a como “radioativa” devido ao alto índice de adoecimento mental dos trabalhadores. Segundo o sindicalista, os funcionários eram assolados constantemente pelo medo do desemprego e por doenças psicossomáticas e emocionais. “Se a gente pegar uma amostra de 3.000 empregados, são 1.000 empregados adoecidos. É muita coisa”, alertou Severo, apontando que um terço da força de trabalho precisou ser afastada. De acordo com ele, a atual melhora na moral da instituição refletiu diretamente no retorno dos clientes e na valorização das ações do banco.
A carreata e a virada de chave com apoio de Celina Leão
Severo relembrou a marcante carreata realizada em conjunto com a governadora Celina Leão, descrevendo o evento como um divisor de águas que uniu os funcionários em um momento de extrema incerteza, ocorrendo de forma providencial na mesma data de uma audiência decisiva no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Durante o ato, ele destacou o compromisso firmado pela governadora. “Na primeira oportunidade que eu tive com ela, falei que chorava todos os dias com os empregados e perguntei se ela tinha compromisso com o resgate do BRB. Ela respondeu: ‘Cristiano, para mim é uma questão de honra’. E ela salvou o BRB”.
A verdade sobre os impactos financeiros
“Nenhum centavo vai sair do GDF”
Respondendo às críticas de opositores que adotam a postura do “quanto pior, melhor”, Cristiano Severo desmistificou os boatos de que o governo local arcará com os prejuízos.
Ele relembrou o histórico de 1992, quando a liquidação de um banco estatal gerou uma dívida bilionária que o Estado paga até hoje, 34 anos depois, restando ainda 8 bilhões de reais de saldo devedor. “Evitamos um prejuízo bilionário. O BRB funcionando tem condições de pagar toda essa conta. É um discurso falacioso dizer que haverá impacto no caixa do governo; nenhum centavo vai sair do GDF. O BRB vai trabalhar para pagar”, garantiu.
Ele também elogiou a estratégia de securitização da dívida elaborada pela governadora junto ao presidente do banco, Nelson, e à equipe técnica da tesouraria. Ele ressaltou que a própria governadora defende a saída célere de delações premiadas para que venha a público quem de fato se ocorreu no esquema.
A viabilidade econômica do BRB
Ao ser questionado sobre a saúde financeira e o futuro da instituição, Cristiano foi enfático ao dizer que o BRB é extremamente viável e rentável, desde que “atores políticos irresponsáveis” parem de atacar o banco visando o sucateamento para vendê-lo “na bacia das almas”.
Com 60 anos de história, o banco sempre injetou capital nos cofres públicos. Nos últimos dois anos, destinou 170 milhões de reais para o fundo de previdência dos servidores municipais. Além do lucro financeiro, Severo defendeu o papel do “lucro social” da instituição, que opera mais de 35 programas sociais, distribui remédios de alto custo por meio da BRB Serviços, viabilizou milhares de mamografias e oferece microcrédito para pequenos empreendedores locais.
“A maior monta desse escândalo aconteceu dentro do Distrito Federal por determinações da gestão anterior. Nós vamos lutar até o fim na Justiça para que haja a responsabilização criminal de todos independentemente de partido ou de colarinho branco e o bloqueio de contas para que o dinheiro roubado do povo de Brasília seja integralmente devolvido”, concluiu.

