Distrito FederalAgilidade no atendimento é crucial para recuperação de AVC

Agilidade no atendimento é crucial para recuperação de AVC

Especialistas alertam que cada minuto conta para salvar neurônios em caso de AVC.

“Era uma dor de cabeça enorme, enorme, enorme.” Essa é a lembrança de Ruth da Silva Cavalcante, de 68 anos, sobre o Dia das Mães deste ano, quando os primeiros sinais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) mudaram sua rotina. Após o almoço, ela decidiu descansar no sofá e, ao tentar se levantar, percebeu uma forte dormência nas pernas, braços e metade do rosto. Diante dessa situação, Ruth acionou uma ambulância. Durante o atendimento, a equipe constatou uma pressão arterial elevada e suspeitou de um AVC. A paciente foi levada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), referência no tratamento da doença. A rapidez no atendimento foi fundamental para sua recuperação. “Fui atendida rapidamente e já realizaram os procedimentos necessários. Fiquei com medo de não voltar a andar nunca mais, mas, graças a Deus e à equipe, deu tudo certo e eu estou bem”, relatou. Atualmente, ela está sob acompanhamento das equipes de Neurologia e Endocrinologia do hospital, que é gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).

Nesta quinta-feira (29), em celebração ao Dia Mundial do AVC e ao Dia Nacional de Prevenção ao Acidente Vascular Cerebral, a experiência de Ruth ressalta um alerta importante dos especialistas: identificar os sintomas e buscar atendimento imediato ao suspeitar de um AVC pode reduzir o risco de sequelas e aumentar as chances de recuperação. “A cada minuto que o paciente passa vítima de um AVC, cerca de dois milhões de neurônios são perdidos. Por isso, tempo é cérebro”, enfatiza Letícia Rebello, neurologista do Hospital de Base.

Protocolo agiliza atendimento no Hospital de Base

No HBDF, ao suspeitar de um AVC, é ativado um fluxo de atendimento prioritário que acelera o diagnóstico e orienta a conduta médica. Quando os sintomas são identificados durante a triagem no pronto-socorro, a equipe aciona o Protocolo AVC, mobilizando os profissionais necessários para a assistência. Após a avaliação médica, o paciente realiza uma tomografia que identifica o tipo de AVC e direciona o tratamento. Dependendo das características do caso, a assistência pode incluir medicamentos, intervenções clínicas ou até cirurgia. De janeiro a agosto deste ano, o Hospital de Base registrou a abertura de 182 protocolos para casos suspeitos de AVC, sendo 32 apenas em agosto, o maior número mensal do período.

Selo internacional pela assistência

Em julho deste ano, o HBDF reconquistou o selo diamante da Iniciativa Angels, um reconhecimento internacional concedido a hospitais que atendem a critérios de excelência no atendimento a pacientes com AVC. O Hospital de Base foi a única unidade do Distrito Federal, tanto da rede pública quanto da privada, a receber a recertificação. As avaliações são realizadas trimestralmente, e a unidade manteve o nível máximo de reconhecimento por quatro ciclos consecutivos. A certificação considera indicadores relacionados à agilidade do atendimento, adoção de boas práticas e qualidade da assistência. A Iniciativa Angels atua globalmente para apoiar a implementação de protocolos e aprimorar o cuidado a pessoas que sofrem um AVC.

Como reconhecer os sinais

O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é interrompido, seja pelo bloqueio de um vaso sanguíneo, caracterizando o AVC isquêmico, ou pelo rompimento de um vaso, caracterizando o AVC hemorrágico. Em ambas as situações, a rapidez no atendimento é crucial para minimizar os danos às células cerebrais. Os sintomas costumam surgir de forma súbita e podem ser percebidos tanto pela pessoa afetada quanto por quem está ao seu redor. Os principais sinais de alerta incluem:

  • Fraqueza ou dormência: especialmente em um lado do corpo, afetando o rosto, o braço ou a perna.
  • Alteração facial: um lado da boca pode apresentar queda ou dificuldade de movimento.
  • Dificuldade para falar ou compreender: fala arrastada, palavras desconexas ou dificuldade para entender o que é dito.
  • Alterações visuais: perda ou diminuição súbita da visão.
  • Problemas de equilíbrio e coordenação: tontura repentina, dificuldade para andar ou perda de equilíbrio.
  • Dor de cabeça intensa e súbita: especialmente quando é muito forte, diferente do habitual e sem causa aparente.

A presença de um ou mais desses sinais requer atenção imediata, mesmo que os sintomas desapareçam em poucos minutos. A recomendação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192 e informar sobre a suspeita de AVC. Não se deve esperar para verificar se o quadro melhora. “Quanto mais rápido você desobstruir o fluxo do sangue, menor é a chance de sequelas e maior a probabilidade de recuperação do paciente”, alerta a neurologista.

Prevenção começa pelo controle dos fatores de risco

Além de reconhecer os sintomas, é fundamental controlar os fatores que aumentam o risco de AVC. Os principais incluem hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo. O acompanhamento de saúde e o controle dessas condições são essenciais para reduzir a probabilidade de ocorrência da doença. Dados da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC) indicam que a doença causou quase 90 mil mortes no Brasil em 2025. De janeiro a março deste ano, foram registrados 20.461 óbitos. Esses números ressaltam a importância da prevenção e do reconhecimento dos sinais de alerta para buscar atendimento de forma ágil.

Suspeita de AVC: saiba como agir

  • Ligue para o Samu, no 192: informe os sintomas e a suspeita de AVC.
  • Não espere os sintomas passarem: mesmo que desapareçam, a pessoa precisa de avaliação urgente.
  • Não ofereça medicamentos ou alimentos: aguarde as orientações da equipe de emergência.
  • Anote o horário: se possível, registre quando os sintomas começaram ou quando a pessoa foi vista bem pela última vez. Essa informação é valiosa para a equipe médica definir o tratamento.

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