Distrito FederalCelebração do NaMoral 2026 premia escolas da rede pública do DF

Celebração do NaMoral 2026 premia escolas da rede pública do DF

Estudantes apresentaram projetos que promovem ética e respeito

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) promoveu nesta quinta-feira (29) o Celebra NaMoral 2026, evento que marcou a conclusão do Programa NaMoral – Educação para a Integridade. A cerimônia ocorreu na Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) e contou com a presença de aproximadamente 1,4 mil estudantes durante os períodos matutino e vespertino. Com o tema “Integridade nos Esportes, Vitória na Vida”, a programação incluiu apresentações culturais e a entrega de troféus a 97 escolas públicas que participaram dos desafios do programa. Essa iniciativa é resultado de uma parceria entre a SEEDF e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com o apoio do Sebrae e do Sistema Fibra. O evento também celebrou o encerramento da Gincana da Integridade, que incentivou estudantes e professores a promoverem ambientes escolares mais éticos, colaborativos e respeitosos.

Os alunos assumiram um papel ativo na programação, apresentando performances culturais selecionadas a partir dos eventos “Dias D” realizados nas escolas participantes. “O NaMoral trabalha valores essenciais para a convivência, como empatia, respeito e responsabilidade. Não é possível promover a aprendizagem em um ambiente marcado pela violência ou pelo bullying. Por isso, precisamos construir espaços seguros e acolhedores, onde os estudantes possam aprender, respeitar as diferenças e fazer escolhas conscientes”, declarou Ana Beatriz Goldstein, chefe da Assessoria de Cultura de Paz da Secretaria de Educação do DF.

Durante o ano letivo, os alunos se envolveram em missões que trouxeram os valores da integridade para o cotidiano escolar. Entre os desafios, eles criaram heróis e heroínas que simbolizavam os princípios do NaMoral, identificaram problemas nas escolas, conhecidos como “perrengues”, e testaram a honestidade na atividade “Pegue e Pague”, que consistia em comprar produtos sem a presença de um vendedor. Os estudantes também participaram de mostras de talentos e da missão “Restauração Interna”, onde escolheram espaços da escola para revitalizar. Um dos momentos marcantes foi o “Dia D”, realizado entre maio e julho nas unidades participantes, onde os alunos compartilharam os aprendizados do programa com a comunidade escolar, educadores, representantes da SEEDF e membros do Ministério Público.

Reconhecimento

Este ano, 97 escolas foram premiadas, sendo 82 do ensino fundamental (anos finais), 12 do ensino médio e três do ensino fundamental (anos iniciais), que participaram de um projeto-piloto. As instituições receberam troféus nas categorias Ametista, Esmeralda, Safira e Diamante, de acordo com a pontuação obtida nas missões e a avaliação de uma banca. A professora Rose Rodrigues, do Centro de Ensino Fundamental (CEF) São José, em Planaltina, relatou que, em seu segundo ano de participação no NaMoral, a escola conquistou o troféu Diamante ao completar todas as missões do programa, envolvendo alunos da educação infantil ao 9º ano. Uma das atividades que exigiu maior empenho foi o “Pegue e Pague”, que apresentou resultados ainda melhores após ser reaplicado.

“Observamos a evolução nas pequenas ações, como nas boas maneiras nos corredores, nas filas e nos eventos organizados pela escola. Também notamos uma participação maior dos alunos mais novos, que realizaram as atividades com o apoio dos estudantes do 6º ao 9º ano. Embora ainda haja muito a melhorar, já conseguimos perceber mudanças no comportamento das crianças e no respeito à integridade”, afirmou a professora.

Luiz Fernando Fernandes, um estudante de 14 anos do 9º ano do CEF São José, comentou que o NaMoral o ajudou a refletir sobre honestidade e respeito ao que pertence aos outros. A escola também implementou uma horta com um sistema de irrigação automática, que controla o fluxo de água e mantém as plantas regadas mesmo na ausência de cuidadores.

“Aprendi que não devemos pegar o que não é nosso. Se pegarmos algo, precisamos pagar por isso. O que levo para a vida é que o que não é meu, eu não toco”, disse Luiz.

Protagonismo docente

O impacto do Programa NaMoral nas unidades de ensino é fortalecido pela colaboração entre a SEEDF e o MPDFT, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) e o Batalhão Escolar da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Essa rede de proteção atua de maneira preventiva e pedagógica para promover a cultura de paz, a ética e a segurança no ambiente escolar. Isaias Aparecido, secretário-executivo de Gestão Administrativa da SEEDF, destacou que a articulação entre os órgãos e o envolvimento dos educadores nas salas de aula são fundamentais para o sucesso da iniciativa, que já abrange mais de 40 mil estudantes da rede pública.

Ex-aluno do Centro Educacional (CED) 5 de Ceilândia, ele recordou como o incentivo de seus professores na juventude despertou valores de cuidado com o próximo e enfatizou que o êxito do projeto depende diretamente da adesão dos docentes.

“O NaMoral existe hoje em mais de 100 escolas porque nossos professores abraçaram o projeto. Não adianta investir recursos se o professor não se comprometer com essa causa. Ele impacta a formação, o caráter e a cidadania de hoje, de amanhã e sempre. Não há NaMoral sem as equipes das coordenações regionais de ensino (CREs), da Cultura de Paz e da Segurança Pública. Agradecemos imensamente aos nossos professores, que realmente fazem a diferença e plantam a semente da integridade e do cuidado com o próximo”, enfatizou Isaias Aparecido.

Educação pelo respeito e proteção às mulheres

O secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, que esteve presente na cerimônia, ressaltou que o trabalho ativo das forças de segurança e do policiamento escolar caminha em sintonia com a formação cidadã promovida nas salas de aula. Ao refletir sobre ética no esporte e na vida, o gestor destacou que a verdadeira segurança também depende da consciência individual.

“Temos polícia e bombeiros nas ruas, câmeras e um trabalho intenso em segurança pública, mas o mais importante é a nossa consciência e caráter. Fazer o certo quando ninguém está olhando, saber que o certo é o certo mesmo sem testemunhas, e que o errado é errado mesmo que muitos estejam fazendo. Você é testemunha dos seus próprios atos”, afirmou Patury.

A proteção e valorização de meninas e mulheres também foram enfatizadas como parte do trabalho conjunto entre a Educação, a Segurança Pública e o Ministério Público. Durante a solenidade, Isaias Aparecido anunciou que o tema terá destaque nas próximas edições do programa, com ações voltadas ao respeito e ao cuidado com as mulheres na rede pública de ensino. A proposta é trabalhar essa conscientização desde a infância, especialmente com os meninos, para promover relações baseadas no respeito dentro e fora do ambiente escolar.

“O desafio que passei para nossa equipe trabalhar no próximo ano é o cuidado e o respeito com as mulheres. Com esse cuidado, que é uma bandeira que defendemos, teremos um retorno positivo em nossa cidade”, concluiu o gestor.

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