Enem: descanso deve ser prioridade nas horas que antecedem a prova
Com a proximidade do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agendado para domingo (08), a ansiedade entre os candidatos tende a aumentar. Especialistas alertam que a pressão para revisar todo o conteúdo acumulado, aliada às expectativas familiares e pessoais, pode resultar em sintomas severos de ansiedade e até episódios depressivos.
De acordo com profissionais consultados pela, uma preparação socioemocional robusta é essencial para evitar que o estresse se torne excessivo ou paralisante. A psicóloga e professora da Afya Porto Nacional, Wilma Amorim, explica que a tensão é gerada pela percepção de que a capacidade e o preparo do candidato estão sendo testados, além do peso que o exame representa para o futuro profissional.
Amorim destaca que o Enem simboliza o acesso ao ensino superior e a realização de projetos construídos ao longo de anos, o que gera nos jovens receio de falhar, insegurança e cobrança excessiva. Contudo, ela ressalta que um certo nível de agitação é esperado e pode ser produtivo.
“É bom deixar claro que o problema não é sentir ansiedade, mas quando ela se torna intensa, a ponto de prejudicar a concentração, a questão do sono, da memória, é aí que se torna um problema. Mas é benéfica essa ansiedade de friozinho na barriga”, avalia.
Às vésperas da avaliação, muitos estudantes sacrificam o autocuidado em nome de horas adicionais de estudo, o que resulta em privação de sono e alimentação inadequada. Stephanie Zanini, pós-graduada em psicologia positiva e diretora de Programas de Desenvolvimento de Lideranças do Ensina Brasil, afirma que esse comportamento prejudica o aprendizado e o desempenho do estudante.
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Nas 24 horas que antecedem a prova, Zanini desaconselha o estudo intensivo e sugere momentos de lazer com pessoas queridas, uma vez que a base teórica já foi consolidada ao longo do ano letivo.
“Não vai adiantar você tentar ler todos os livros e decorar todas as fórmulas nas últimas 24 horas antes do Enem. Esse é o momento de você ir num cinema, de você conseguir relaxar, de você comer uma comidinha que você gosta, estar com quem você ama. Porque o que você tinha que aprender, você já fez nas últimas semanas, nos últimos anos”, explica.
Tanto Stephanie Zanini quanto Wilma Amorim recomendam cuidados com a saúde física, incluindo sono adequado, alimentação balanceada e descanso. Preparativos logísticos, como visitar o local da prova com antecedência, separar documentos e organizar materiais, também são importantes para evitar picos de ansiedade de última hora.
Outro aspecto relevante é a redução do tempo de tela, uma vez que as redes sociais podem intensificar comparações prejudiciais entre candidatos, alimentando sentimentos de incapacidade, exaustão e angústia.
Pais e responsáveis têm um papel crucial na diminuição da pressão sobre os estudantes. Os especialistas sugerem uma postura de escuta atenta, que valorize o esforço realizado ao longo do ano. Esse acolhimento deve respeitar a individualidade de cada estudante, pois alguns preferem momentos de introspecção, enquanto outros se sentem mais confortáveis discutindo os temas da prova com a família.
Apresentar alternativas concretas para diferentes cenários de resultado, garantir estabilidade emocional e colaborar com a rotina logística nas horas que antecedem a prova são atitudes que ajudam a reduzir a sobrecarga. Por outro lado, é importante evitar frases que criem um sentimento de cobrança por desempenho, como “você precisa passar” ou “estamos investindo em você”. Segundo Amorim, cobranças explícitas podem aumentar o medo de decepcionar e agravar o desgaste emocional.
“O estudante precisa de apoio, de incentivo e segurança emocional. A família deve transmitir essa confiança, sabendo que houve uma preparação e que esse sentimento da família querer o melhor não pode acabar prejudicando o estudante, nesse momento”, afirmou.
*sob supervisão de Odair Braz Junior

