A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu nesta sexta-feira (2) a inconstitucionalidade de dispositivos das leis que legalizaram a exploração das apostas de quota fixa, conhecidas como bets.
Na manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão solicitou que a Corte declare incompatíveis com a Constituição as leis 13.756 de 2018 e 14.790 de 2023.
A solicitação foi protocolada na ação em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou, em 2024, que as leis não oferecem proteção adequada aos apostadores. O relator da ação é o ministro Luiz Fux, que solicitou manifestação da AGU.
A norma de 2018 instituiu a modalidade de apostas on-line, enquanto a lei de 2023, conhecida como Lei das Bets, regulamentou as apostas virtuais.
A AGU destacou diversos malefícios provocados pelas bets, como o endividamento das famílias, a desproteção de crianças e adolescentes, impactos na economia formal e um aumento de 140% nos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a pessoas com transtornos relacionados ao vício em jogos.
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“As razões acima expostas evidenciam que o regime normativo das Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023 era extensamente falho, contemplando uma liberalidade exploratória que não pôde ser compatibilizada com a proteção adequada de direitos fundamentais de primeira importância, como a dignidade humana, a saúde pública e o mínimo existencial”, defendeu o órgão.
Além da ação promovida pela PGR, também tramita no STF um processo em que a plataforma de bets defende a retomada das apostas.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) solicitaram a derrubada da medida provisória que, na semana passada, proibiu a exploração e a publicidade dos jogos on-line.
De acordo com as regras estabelecidas pela norma, as plataformas têm até o dia 5 de outubro para pagar o saldo remanescente aos apostadores. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos de bets serão totalmente bloqueados.

